{"id":6197,"date":"2025-09-11T20:58:08","date_gmt":"2025-09-11T20:58:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=6197"},"modified":"2025-09-11T21:22:20","modified_gmt":"2025-09-11T21:22:20","slug":"pitch-do-tortelete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=6197","title":{"rendered":"Pitch do Tortelete"},"content":{"rendered":"<h1><a href=\"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-6200\" src=\"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/photo_2025-09-11_18-19-07.jpg 1074w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/h1>\n<h1>VERS\u00c3O 1<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Uma Noite, Dois Jovens e Uma Grande Li\u00e7\u00e3o de Empreendedorismo<\/h3>\n<p>Era por volta das dez horas da noite quando aconteceu algo aparentemente simples, mas que me trouxe uma reflex\u00e3o profunda sobre comunica\u00e7\u00e3o, vergonha, coragem e empreendedorismo. Eu estava em uma confraterniza\u00e7\u00e3o de adultos, um ambiente descontra\u00eddo, leve, mas j\u00e1 em clima de encerramento, quando dois adolescentes se aproximaram. Carregavam uma caixa de papel\u00e3o com, no m\u00e1ximo, vinte unidades de pequenas tortas caseiras \u2014 ou, como eles chamavam, <em>torteletes<\/em>.<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, poderiam passar despercebidos. Estavam ali para vender, mas n\u00e3o tinham a postura de vendedores. O olhar baixo, os ombros retra\u00eddos, e a forma como se mantinham um pouco afastados do grupo mostravam a timidez que dominava aquele momento. Eu percebia claramente que n\u00e3o era f\u00e1cil para eles abordar estranhos, interromper conversas ou enfrentar a poss\u00edvel rejei\u00e7\u00e3o de um \u201cn\u00e3o, obrigado\u201d.<\/p>\n<h3>O Prop\u00f3sito Por Tr\u00e1s da Venda<\/h3>\n<p>Esses jovens n\u00e3o estavam vendendo torteletes por vaidade ou capricho pessoal. O dinheiro arrecadado seria destinado \u00e0s atividades da igreja da qual faziam parte. Isso, por si s\u00f3, j\u00e1 adicionava um peso maior \u00e0 miss\u00e3o deles. N\u00e3o se tratava apenas de trocar produto por dinheiro, mas de cumprir uma meta coletiva, de contribuir para um bem maior. Carregar essa responsabilidade, ainda t\u00e3o jovens, j\u00e1 era um exerc\u00edcio de amadurecimento.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o de cada tortelete era de cinco reais. Algo simples, acess\u00edvel, mas que, para quem est\u00e1 diante de vinte unidades e precisa convencer v\u00e1rias pessoas em pouco tempo, parecia uma barreira gigante.<\/p>\n<h3>A Vergonha e o Sil\u00eancio<\/h3>\n<p>Apesar de terem sido convidados a circular entre as pessoas para oferecer, percebia-se que estavam paralisados. Um misto de vergonha e medo de rejei\u00e7\u00e3o fazia com que segurassem a caixa, mas n\u00e3o levantassem a voz. Esse detalhe chamou minha aten\u00e7\u00e3o. Quantas vezes, em diferentes \u00e1reas da vida, n\u00e3o temos um bom produto, uma boa ideia, ou at\u00e9 mesmo uma excelente oportunidade, mas n\u00e3o conseguimos coloc\u00e1-la diante das pessoas certas por falta de confian\u00e7a ou habilidade de comunica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Ali, diante de mim, estava uma met\u00e1fora viva do que acontece diariamente no mundo dos neg\u00f3cios: o fracasso n\u00e3o vem da qualidade do produto em si, mas da aus\u00eancia de uma boa estrat\u00e9gia de divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>A Interven\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Foi nesse instante que decidi agir. Chamei os dois, Gabriela e L\u00e9o, e os apresentei para o grupo. Mas n\u00e3o apenas como adolescentes vendendo torteletes. Dei a eles uma narrativa, um contexto, algo que desse for\u00e7a e credibilidade \u00e0quela iniciativa.<\/p>\n<p>Com o microfone em m\u00e3os, anunciei:<\/p>\n<p>\u201cPessoal, aqui est\u00e3o Gabriela e L\u00e9o. Eles est\u00e3o vendendo torteletes deliciosos. O pre\u00e7o normal dessas tortas \u00e9 de sete reais, mas eles est\u00e3o fazendo hoje uma promo\u00e7\u00e3o especial para o nosso grupo: apenas cinco reais cada uma. Quem quiser apoiar, levante o bra\u00e7o que eles v\u00e3o at\u00e9 voc\u00ea.\u201d<\/p>\n<p>O efeito foi imediato. Em quest\u00e3o de minutos, todas as unidades estavam vendidas. Aquilo que parecia dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel para eles, se transformou em uma cena de entusiasmo coletivo. Pessoas riam, chamavam os dois, pediam uma ou duas unidades. Em poucos instantes, a miss\u00e3o estava cumprida.<\/p>\n<h3>O Que Aconteceu, de Fato?<\/h3>\n<p>Ao analisar a situa\u00e7\u00e3o, percebo que n\u00e3o foi a qualidade do produto que mudou \u2014 as torteletes eram as mesmas. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi o pre\u00e7o, que j\u00e1 estava acess\u00edvel. O que realmente mudou foi a forma de apresenta\u00e7\u00e3o. Eu criei um <em>pitch<\/em>, uma pequena fala capaz de atrair a aten\u00e7\u00e3o das pessoas e despertar nelas o desejo de participar daquela compra.<\/p>\n<p>O p\u00fablico estava ali, predisposto. Bastava algu\u00e9m traduzir a timidez em mensagem clara. Isso me fez refletir: <strong>n\u00e3o basta ter um bom produto, \u00e9 preciso comunic\u00e1-lo de maneira eficaz.<\/strong><\/p>\n<h3>Conceitos de Empreendedorismo em Cena<\/h3>\n<p>Esse epis\u00f3dio, embora simples, condensou li\u00e7\u00f5es essenciais para qualquer empreendedor:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Produto<\/strong>: As torteletes representavam a qualidade. Eram visivelmente bem preparadas, apetitosas e acess\u00edveis. Ou seja, havia valor intr\u00ednseco.<\/li>\n<li><strong>Pre\u00e7o<\/strong>: Estava dentro de uma faixa justa. A compara\u00e7\u00e3o com o pre\u00e7o normal de sete reais refor\u00e7ou ainda mais a percep\u00e7\u00e3o de oportunidade.<\/li>\n<li><strong>Pra\u00e7a (P\u00fablico)<\/strong>: O grupo reunido era um p\u00fablico-alvo favor\u00e1vel. Pessoas em um ambiente de confraterniza\u00e7\u00e3o, abertas a apoiar causas sociais e dispostas a gastar pequenas quantias.<\/li>\n<li><strong>Promo\u00e7\u00e3o (Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong>: Este foi o ponto fr\u00e1gil inicialmente. Faltava voz, narrativa, convencimento. Quando esse elemento foi adicionado, o ciclo se completou.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em termos de marketing, foi um exemplo cl\u00e1ssico do <em>mix<\/em> dos quatro Ps funcionando \u2014 mas s\u00f3 depois que o \u00faltimo, a promo\u00e7\u00e3o, foi acionado de forma adequada.<\/p>\n<h3>O Papel da Vergonha<\/h3>\n<p>\u00c9 importante destacar a quest\u00e3o da vergonha. Para Gabriela e L\u00e9o, aquele momento era desafiador. Abordar desconhecidos, se expor, correr o risco do n\u00e3o. Esse \u00e9 um bloqueio que muitos empreendedores enfrentam. Quantas boas ideias ficam guardadas, n\u00e3o por falta de potencial, mas por medo da exposi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Aqui est\u00e1 outra li\u00e7\u00e3o: <strong>superar a vergonha \u00e9 parte do caminho do empreendedorismo<\/strong>. Quem n\u00e3o arrisca ouvir um \u201cn\u00e3o\u201d, jamais ter\u00e1 a chance de conquistar o \u201csim\u201d.<\/p>\n<h3>A For\u00e7a da Narrativa<\/h3>\n<p>O que realmente convenceu as pessoas n\u00e3o foi apenas o pre\u00e7o. Foi a narrativa. Ao dizer que o valor original era sete reais e que havia uma promo\u00e7\u00e3o para aquele grupo espec\u00edfico, criei uma sensa\u00e7\u00e3o de exclusividade e oportunidade. Al\u00e9m disso, ao citar que os dois faziam parte de uma igreja e que o valor tinha um destino coletivo, trouxe prop\u00f3sito. N\u00e3o era apenas comprar uma torta, mas apoiar uma causa.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o \u2014 oportunidade mais prop\u00f3sito \u2014 \u00e9 poderosa. \u00c9 o que move mercados inteiros hoje em dia. Consumidores n\u00e3o compram apenas produtos; compram hist\u00f3rias, compram causas, compram pertencimento.<\/p>\n<h3>Reflex\u00f5es Finais<\/h3>\n<p>Ao final daquela noite, percebi que o que parecia um epis\u00f3dio trivial tinha se transformado em uma verdadeira aula pr\u00e1tica de empreendedorismo. Gabriela e L\u00e9o aprenderam que n\u00e3o basta carregar um bom produto. \u00c9 preciso saber apresent\u00e1-lo, contar sua hist\u00f3ria e direcion\u00e1-lo ao p\u00fablico certo. Eu, por minha vez, fui lembrado de algo que \u00e0s vezes esquecemos: todos n\u00f3s temos ideias, projetos e talentos que precisam de voz.<\/p>\n<p>Se ficarmos em sil\u00eancio, eles se perdem. Mas quando ousamos falar, quando encontramos a forma adequada de comunicar, portas se abrem.<\/p>\n<p>Esse epis\u00f3dio refor\u00e7a a import\u00e2ncia de olhar para al\u00e9m do \u00f3bvio. Vender uma torta n\u00e3o \u00e9 apenas uma transa\u00e7\u00e3o comercial. \u00c9 um exerc\u00edcio de coragem, de comunica\u00e7\u00e3o e de conex\u00e3o humana.<\/p>\n<p>E a grande li\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: <strong>empreendedorismo n\u00e3o \u00e9 apenas ter algo bom para oferecer. \u00c9, sobretudo, ter a capacidade de comunicar, envolver e transformar um simples produto em uma experi\u00eancia significativa para quem compra e para quem vende.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1>VERS\u00c3O 2<\/h1>\n<hr \/>\n<h1>Da Venda de Torteletes \u00e0 Li\u00e7\u00e3o de Empreendedorismo: Uma An\u00e1lise Acad\u00eamica<\/h1>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>As experi\u00eancias cotidianas frequentemente revelam li\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas de empreendedorismo que transcendem as salas de aula e os manuais t\u00e9cnicos. O epis\u00f3dio vivenciado em uma confraterniza\u00e7\u00e3o, no qual dois adolescentes ofereceram torteletes para arrecadar fundos em prol das atividades de sua igreja, apresenta um exemplo emblem\u00e1tico de como a comunica\u00e7\u00e3o e o posicionamento de um produto podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma iniciativa de venda.<\/p>\n<p>Este relato, aparentemente trivial, carrega um potencial pedag\u00f3gico: nele est\u00e3o contidos elementos dos cl\u00e1ssicos <strong>4 Ps do marketing<\/strong> (produto, pre\u00e7o, pra\u00e7a e promo\u00e7\u00e3o), al\u00e9m de aspectos emocionais como vergonha, narrativa e prop\u00f3sito.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>A Narrativa do Caso<\/h2>\n<p>Dois adolescentes, Gabriela e L\u00e9o, aproximaram-se de uma confraterniza\u00e7\u00e3o de adultos com cerca de vinte torteletes \u00e0 venda. O pre\u00e7o unit\u00e1rio era de cinco reais, valor abaixo do praticado em outras ocasi\u00f5es (sete reais). Apesar da qualidade do produto e da clareza do prop\u00f3sito (arrecadar fundos para a igreja), a timidez dos jovens os impedia de se comunicar adequadamente.<\/p>\n<p>Diante da dificuldade, houve uma interven\u00e7\u00e3o: a apresenta\u00e7\u00e3o formal dos jovens, com a cria\u00e7\u00e3o de uma narrativa de valor, exclusividade e prop\u00f3sito. O resultado foi imediato: em poucos minutos, todas as unidades foram vendidas.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>An\u00e1lise Conceitual<\/h2>\n<h3>1. O Produto<\/h3>\n<p>O primeiro pilar do marketing, segundo Kotler e Keller (2012), \u00e9 o <strong>produto<\/strong>. Neste caso, tratava-se de um alimento caseiro, atrativo visualmente e percebido como de boa qualidade. O valor intr\u00ednseco estava presente. Contudo, como j\u00e1 ressaltava Drucker (1986), \u201co produto por si s\u00f3 n\u00e3o garante o sucesso, \u00e9 necess\u00e1rio que seja desejado pelo cliente\u201d.<\/p>\n<h3>2. O Pre\u00e7o<\/h3>\n<p>O pre\u00e7o de cinco reais representava uma vantagem competitiva em rela\u00e7\u00e3o ao valor usual de sete reais. Churchill e Peter (2010) destacam que o pre\u00e7o \u00e9 um sinalizador de valor para o consumidor. Ao explicitar que havia uma promo\u00e7\u00e3o, criou-se o efeito psicol\u00f3gico de oportunidade.<\/p>\n<h3>3. A Pra\u00e7a (P\u00fablico-Alvo)<\/h3>\n<p>O p\u00fablico estava em um ambiente descontra\u00eddo, predisposto ao consumo por impulso e, sobretudo, inclinado a apoiar causas sociais. Como ensina Las Casas (2017), compreender o perfil do p\u00fablico \u00e9 essencial para adequar a abordagem. O erro inicial dos jovens foi n\u00e3o explorar esse ambiente favor\u00e1vel.<\/p>\n<h3>4. A Promo\u00e7\u00e3o (Comunica\u00e7\u00e3o)<\/h3>\n<p>Foi aqui que se concentrou o ponto fr\u00e1gil. Sem comunica\u00e7\u00e3o clara, o produto permaneceu invis\u00edvel. Kotler (2018) enfatiza que a promo\u00e7\u00e3o \u00e9 o elo que conecta produto e p\u00fablico. Quando houve a interven\u00e7\u00e3o, transformando a timidez em discurso estruturado, o ciclo de marketing se completou.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>Aspectos Psicol\u00f3gicos da Venda<\/h2>\n<p>A vergonha dos adolescentes ilustra um fen\u00f4meno recorrente no comportamento empreendedor: o <strong>medo da rejei\u00e7\u00e3o<\/strong>. Segundo Ries (2012), startups fracassam n\u00e3o apenas por falhas t\u00e9cnicas, mas pela incapacidade de validar e comunicar suas ideias. No caso, Gabriela e L\u00e9o tinham um produto validado, mas n\u00e3o conseguiam romper a barreira psicol\u00f3gica da exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio demonstra, ainda, o poder da <strong>narrativa<\/strong>. Ao criar uma hist\u00f3ria que combinava exclusividade (promo\u00e7\u00e3o para aquele grupo) e prop\u00f3sito (destina\u00e7\u00e3o religiosa dos recursos), foi poss\u00edvel mobilizar o p\u00fablico. Estudos recentes em neuromarketing (Morin, 2011) mostram que narrativas ativam \u00e1reas emocionais do c\u00e9rebro, aumentando a propens\u00e3o \u00e0 compra.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>O Papel do Facilitador<\/h2>\n<p>Outro elemento importante foi a atua\u00e7\u00e3o do facilitador. No mundo dos neg\u00f3cios, essa figura pode ser comparada ao <strong>mentor<\/strong> ou ao <strong>pitch man<\/strong>, algu\u00e9m capaz de traduzir potencial em mensagem. Christensen et al. (2016) ressaltam que a inova\u00e7\u00e3o muitas vezes precisa de mediadores para alcan\u00e7ar aceita\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>No caso analisado, o facilitador exerceu tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Valida\u00e7\u00e3o social<\/strong>: ao apresentar os jovens, conferiu legitimidade.<\/li>\n<li><strong>Estrutura de discurso<\/strong>: forneceu clareza e concis\u00e3o na mensagem.<\/li>\n<li><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva<\/strong>: estimulou o engajamento r\u00e1pido do p\u00fablico.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h2>Li\u00e7\u00f5es Empreendedoras<\/h2>\n<ol>\n<li><strong>Ter um bom produto n\u00e3o basta.<\/strong> \u00c9 preciso saber apresent\u00e1-lo e comunic\u00e1-lo adequadamente.<\/li>\n<li><strong>O p\u00fablico certo potencializa o resultado.<\/strong> O ambiente da confraterniza\u00e7\u00e3o era favor\u00e1vel, mas foi necess\u00e1rio ativ\u00e1-lo.<\/li>\n<li><strong>A narrativa cria valor al\u00e9m do pre\u00e7o.<\/strong> Exclusividade e prop\u00f3sito aumentaram a disposi\u00e7\u00e3o para comprar.<\/li>\n<li><strong>A vergonha pode ser um obst\u00e1culo maior que a falta de recursos.<\/strong> Superar esse bloqueio \u00e9 parte da jornada empreendedora.<\/li>\n<li><strong>O mentor\/facilitador pode ser decisivo.<\/strong> Muitas iniciativas juvenis ou iniciantes precisam desse suporte inicial.<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<h2>Aplica\u00e7\u00f5es em Sala de Aula<\/h2>\n<p>Esse caso pode ser trabalhado em cursos de empreendedorismo e marketing como um <strong>estudo de caso real<\/strong>, de baixo custo e alta aplicabilidade. Professores podem convidar os alunos a refletir:<\/p>\n<ul>\n<li>Como Gabriela e L\u00e9o poderiam ter superado a timidez?<\/li>\n<li>Que outras estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o poderiam ser usadas?<\/li>\n<li>Se o pre\u00e7o fosse mais alto, o resultado teria sido o mesmo?<\/li>\n<li>De que forma essa experi\u00eancia se conecta com os 4 Ps do marketing?<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, pode ser um exerc\u00edcio para <strong>simula\u00e7\u00e3o de pitch<\/strong>, em que os alunos criam narrativas curtas para vender produtos simples, explorando n\u00e3o apenas a l\u00f3gica, mas tamb\u00e9m a emo\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>O epis\u00f3dio da venda de torteletes mostra que o empreendedorismo est\u00e1 presente em situa\u00e7\u00f5es simples do cotidiano. Ele refor\u00e7a a ideia de que <strong>a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante quanto o produto em si<\/strong>. Para Gabriela e L\u00e9o, aquela noite representou um aprendizado pr\u00e1tico; para quem observou, foi a confirma\u00e7\u00e3o de que <strong>o sucesso nos neg\u00f3cios depende da integra\u00e7\u00e3o entre produto, pre\u00e7o, p\u00fablico e, sobretudo, promo\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim como no mercado competitivo, n\u00e3o adianta ter qualidade se n\u00e3o houver voz. N\u00e3o adianta ter prop\u00f3sito se n\u00e3o houver narrativa. N\u00e3o adianta ter p\u00fablico se n\u00e3o houver abordagem. Esse caso \u00e9, portanto, um retrato em miniatura do que acontece diariamente em qualquer empreendimento \u2014 da pequena venda de rua at\u00e9 grandes corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<ul>\n<li>Christensen, C. M., Raynor, M. E., &amp; McDonald, R. (2016). <em>What is disruptive innovation?<\/em> Harvard Business Review, 94(12), 44\u201353.<\/li>\n<li>Churchill, G. A., &amp; Peter, J. P. (2010). <em>Marketing: Criando valor para os clientes<\/em>. S\u00e3o Paulo: Saraiva.<\/li>\n<li>Drucker, P. (1986). <em>Inova\u00e7\u00e3o e esp\u00edrito empreendedor<\/em>. S\u00e3o Paulo: Pioneira.<\/li>\n<li>Kotler, P. (2018). <em>Marketing 4.0: Do tradicional ao digital<\/em>. Rio de Janeiro: Sextante.<\/li>\n<li>Kotler, P., &amp; Keller, K. L. (2012). <em>Administra\u00e7\u00e3o de marketing<\/em>. 14. ed. S\u00e3o Paulo: Pearson.<\/li>\n<li>Las Casas, A. L. (2017). <em>Administra\u00e7\u00e3o de marketing: conceitos, planejamento e aplica\u00e7\u00f5es \u00e0 realidade brasileira<\/em>. S\u00e3o Paulo: Atlas.<\/li>\n<li>Morin, C. (2011). Neuromarketing: The new science of consumer behavior. <em>Society<\/em>, 48(2), 131\u2013135. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s12115-010-9408-1\">https:\/\/doi.org\/10.1007\/s12115-010-9408-1<\/a><\/li>\n<li>Ries, E. (2012). <em>A startup enxuta<\/em>. S\u00e3o Paulo: Leya.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VERS\u00c3O 1 &nbsp; Uma Noite, Dois Jovens e Uma Grande Li\u00e7\u00e3o de Empreendedorismo Era por volta das dez horas da noite quando aconteceu algo aparentemente simples, mas que me trouxe uma reflex\u00e3o profunda sobre comunica\u00e7\u00e3o, vergonha, coragem e empreendedorismo. Eu estava em uma confraterniza\u00e7\u00e3o de adultos, um ambiente descontra\u00eddo, leve, mas j\u00e1 em clima de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":{"0":"post-6197","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-geral","7":"czr-hentry"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6197"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6201,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6197\/revisions\/6201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}