{"id":7973,"date":"2026-09-13T12:23:54","date_gmt":"2026-09-13T12:23:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=7973"},"modified":"2026-09-13T13:27:25","modified_gmt":"2026-09-13T13:27:25","slug":"quem-assina-texto-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=7973","title":{"rendered":"Quem assina o texto escrito com intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"\r\n<blockquote>\r\n<h3 style=\"text-align: center;\">Autoria, responsabilidade e declara\u00e7\u00e3o de uso de IA generativa na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica<\/h3>\r\n<\/blockquote>\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: right;\">Aldemar Araujo Castro<br \/>Cria\u00e7\u00e3o: 13\/09\/2026<br \/>Atualiza\u00e7\u00e3o: 13\/09\/2026<br \/>Palavras: 2944<br \/>Tempo de leitura: 15 minutos<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A pena na m\u00e3o<\/strong><br \/><strong>o nome ao p\u00e9 da p\u00e1gina<\/strong><br \/><strong>seca devagar<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resumo.<\/strong> Este texto examina por que sistemas de intelig\u00eancia artificial generativa n\u00e3o podem figurar como autores de trabalhos cient\u00edficos, quest\u00e3o que decorre da impossibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o, e o que isso imp\u00f5e a quem assina. Percorre o espectro de usos poss\u00edveis, da corre\u00e7\u00e3o de l\u00edngua \u00e0 delega\u00e7\u00e3o do argumento, apresenta a se\u00e7\u00e3o dedicada ao tema na atualiza\u00e7\u00e3o de janeiro de 2026 das recomenda\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo os deveres do parecerista quanto \u00e0 confidencialidade, discute a fabrica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias e a obriga\u00e7\u00e3o de verific\u00e1-las, e prop\u00f5e um modelo m\u00ednimo de declara\u00e7\u00e3o de uso, comentado elemento por elemento.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um orientando entrega o manuscrito revisado. O texto est\u00e1 mais fluente, a discuss\u00e3o ganhou densidade e a lista de refer\u00eancias cresceu de dezoito para vinte e seis itens. O orientador come\u00e7a a conferir as novas cita\u00e7\u00f5es e, na terceira delas, n\u00e3o encontra o artigo. O peri\u00f3dico existe, o volume existe, os autores existem e publicaram sobre o tema, mas aquele artigo, com aquele t\u00edtulo, naquelas p\u00e1ginas, n\u00e3o existe em lugar algum. A explica\u00e7\u00e3o vem sem hesita\u00e7\u00e3o e sem mal\u00edcia: a ferramenta sugeriu, parecia adequado, e o aluno n\u00e3o conferiu.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cena n\u00e3o \u00e9 hipot\u00e9tica e deixou de ser rara. Ela coloca em jogo uma pergunta que a comunidade cient\u00edfica passou a enfrentar de modo agudo desde o final de 2022, e que o ordenamento editorial vem respondendo de maneira mais firme do que muitos pesquisadores perceberam: se o texto foi produzido com aux\u00edlio de um sistema de intelig\u00eancia artificial generativa, quem responde pelo que est\u00e1 escrito? A resposta consolidada \u00e9 simples de enunciar e trabalhosa de cumprir. Responde quem assina, integralmente, inclusive pelas partes que n\u00e3o redigiu.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto examina por que sistemas de intelig\u00eancia artificial n\u00e3o podem figurar como autores, o que eles s\u00e3o ent\u00e3o na economia de cr\u00e9ditos de um artigo, o que mudou nas recomenda\u00e7\u00f5es internacionais em janeiro de 2026, quais deveres recaem sobre o parecerista que utiliza essas ferramentas, por que a verifica\u00e7\u00e3o individual de cada refer\u00eancia se tornou obriga\u00e7\u00e3o intransfer\u00edvel, e como redigir uma declara\u00e7\u00e3o de uso que cumpra sua fun\u00e7\u00e3o. Ao final, proponho um modelo m\u00ednimo de declara\u00e7\u00e3o, comentado elemento por elemento.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O n\u00f3 entre cr\u00e9dito e responsabilidade<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o sobre autoria de m\u00e1quinas costuma ser apresentada como disputa sobre m\u00e9rito, o que a desloca do essencial. Os crit\u00e9rios de autoria consolidados na pesquisa biom\u00e9dica exigem contribui\u00e7\u00e3o substancial \u00e0 concep\u00e7\u00e3o ou \u00e0 an\u00e1lise, participa\u00e7\u00e3o na reda\u00e7\u00e3o ou na revis\u00e3o cr\u00edtica, aprova\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o final e, decisivamente, <strong>responsabiliza\u00e7\u00e3o por todos os aspectos do trabalho<\/strong>, incluindo o compromisso de investigar e resolver quest\u00f5es de exatid\u00e3o ou integridade que venham a ser levantadas. Os tr\u00eas primeiros requisitos poderiam, com alguma licen\u00e7a conceitual, ser discutidos a respeito de um sistema computacional. O quarto n\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Responsabilizar-se \u00e9 um ato que pressup\u00f5e algu\u00e9m a quem imputar consequ\u00eancias. Um sistema n\u00e3o \u00e9 interpel\u00e1vel, n\u00e3o responde a uma acusa\u00e7\u00e3o de m\u00e1 conduta, n\u00e3o retrata um artigo, n\u00e3o devolve financiamento, n\u00e3o declara conflito de interesse e n\u00e3o titulariza direitos patrimoniais sobre o texto. Foi exatamente esse o fundamento adotado pelos editores que primeiro enfrentaram o problema, ao observarem que a atribui\u00e7\u00e3o de autoria a um sistema esvazia a cadeia de responsabiliza\u00e7\u00e3o que sustenta a confian\u00e7a na literatura cient\u00edfica (Flanagin et al., 2023). Na formula\u00e7\u00e3o direta do editor-chefe de uma das principais revistas generalistas do mundo, a ferramenta pode ser interessante, mas n\u00e3o \u00e9 autora, e a raz\u00e3o \u00e9 a impossibilidade de assumir responsabilidade (Thorp, 2023).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conv\u00e9m notar o que essa recusa n\u00e3o significa. Ela n\u00e3o afirma que o texto produzido com aux\u00edlio da ferramenta seja ileg\u00edtimo, nem que a contribui\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina seja desprez\u00edvel, nem que o uso deva ser envergonhado. <strong>Autoria e utilidade s\u00e3o coisas distintas.<\/strong> Um microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico contribui de modo decisivo para um achado e n\u00e3o assina o artigo. A diferen\u00e7a, no caso da intelig\u00eancia artificial generativa, \u00e9 que a ferramenta produz linguagem, e linguagem \u00e9 precisamente o material em que a autoria cient\u00edfica se manifesta, o que embaralha a intui\u00e7\u00e3o e exige que o crit\u00e9rio seja enunciado com clareza em lugar de pressuposto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ferramenta, contribui\u00e7\u00e3o ou autoria oculta<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recusada a autoria, resta classificar o que a ferramenta \u00e9. A literatura sobre integridade em pesquisa tem trabalhado com um espectro, e n\u00e3o com uma categoria \u00fanica, porque o uso varia da corre\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses (Hosseini et al., 2024). Vale a pena percorrer esse espectro, porque o dever de declarar e o risco \u00e0 integridade crescem ao longo dele.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro patamar est\u00e1 o uso instrumental de superf\u00edcie: corre\u00e7\u00e3o gramatical, ajuste de concord\u00e2ncia, sugest\u00e3o de sin\u00f4nimo, formata\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias. \u00c9 o uso que se assemelha ao de um corretor ortogr\u00e1fico avan\u00e7ado, e a tradi\u00e7\u00e3o editorial nunca exigiu declara\u00e7\u00e3o para instrumentos dessa natureza. No patamar intermedi\u00e1rio est\u00e1 a assist\u00eancia de reda\u00e7\u00e3o com alguma autonomia, na qual o pesquisador fornece o conte\u00fado e a ferramenta prop\u00f5e a forma: reorganizar um par\u00e1grafo, sugerir transi\u00e7\u00e3o entre se\u00e7\u00f5es, produzir uma vers\u00e3o mais concisa de um trecho que o autor escreveu. Aqui o paralelo pertinente \u00e9 o do revisor de l\u00edngua profissional, cuja contribui\u00e7\u00e3o a praxe registra em agradecimentos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No patamar superior est\u00e1 o que merece aten\u00e7\u00e3o mais severa: a delega\u00e7\u00e3o de formula\u00e7\u00e3o intelectual. Pedir \u00e0 ferramenta que <strong>redija a discuss\u00e3o a partir dos resultados<\/strong>, que proponha as hip\u00f3teses explicativas de um achado inesperado, que construa o argumento da introdu\u00e7\u00e3o ou que selecione e interprete a literatura pertinente. Esse uso n\u00e3o \u00e9 proibido pelas normas vigentes, mas transfere ao sistema uma parcela do trabalho que os crit\u00e9rios de autoria atribuem ao autor, e produz uma situa\u00e7\u00e3o inc\u00f4moda: algu\u00e9m assina, como contribui\u00e7\u00e3o intelectual pr\u00f3pria, um racioc\u00ednio que n\u00e3o formulou e que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 capaz de reconstruir. A express\u00e3o <strong>autoria oculta<\/strong> descreve bem o arranjo, e o problema que ela levanta n\u00e3o \u00e9 de cr\u00e9dito, \u00e9 de verificabilidade, porque ningu\u00e9m pode responder por um argumento cuja origem desconhece.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia pr\u00e1tica dessa grada\u00e7\u00e3o \u00e9 que a pergunta relevante deixa de ser se houve uso de intelig\u00eancia artificial, pergunta que em pouco tempo ser\u00e1 t\u00e3o informativa quanto perguntar se houve uso de computador, e passa a ser em que patamar o uso se deu. \u00c9 essa informa\u00e7\u00e3o que o leitor precisa ter para calibrar sua confian\u00e7a, e \u00e9 ela que uma declara\u00e7\u00e3o bem redigida transmite.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que mudou em janeiro de 2026<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 2023 e 2025, as orienta\u00e7\u00f5es sobre o tema se acumularam de forma fragmentada, com peri\u00f3dicos adotando pol\u00edticas pr\u00f3prias, por vezes incompat\u00edveis entre si. O quadro se organizou com a atualiza\u00e7\u00e3o de janeiro de 2026 das Recomenda\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea Internacional de Editores de Revistas M\u00e9dicas (International Committee of Medical Journal Editors, ICMJE), que passou a dedicar uma se\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ao assunto, subdividida conforme o papel de cada participante do processo editorial: autores, revisores e editores (ICMJE, 2026).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os autores, as orienta\u00e7\u00f5es fixam quatro deveres. Primeiro, <strong>sistemas conversacionais e demais ferramentas assistidas por intelig\u00eancia artificial n\u00e3o devem ser listados como autores<\/strong>, pela impossibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 examinada. Segundo, o uso dessas tecnologias deve ser informado no momento da submiss\u00e3o, com descri\u00e7\u00e3o de como foram utilizadas, tanto na carta de apresenta\u00e7\u00e3o quanto no pr\u00f3prio trabalho. Terceiro, a responsabilidade por todo material submetido que envolveu uso dessas ferramentas \u00e9 humana, o que imp\u00f5e revis\u00e3o cuidadosa do conte\u00fado gerado, aten\u00e7\u00e3o a erros e vieses e verifica\u00e7\u00e3o de aus\u00eancia de pl\u00e1gio. Quarto, material gerado por intelig\u00eancia artificial n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel como fonte prim\u00e1ria de uma cita\u00e7\u00e3o, exigindo-se atribui\u00e7\u00e3o adequada a todo conte\u00fado citado. A omiss\u00e3o do uso, registre-se, pode ensejar medidas corretivas e ser tratada como m\u00e1 conduta cient\u00edfica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A posi\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de \u00c9tica em Publica\u00e7\u00f5es (Committee on Publication Ethics, COPE) converge no essencial e acrescenta precis\u00e3o quanto ao local da declara\u00e7\u00e3o, recomendando que a descri\u00e7\u00e3o do uso conste da se\u00e7\u00e3o de materiais e m\u00e9todos ou equivalente, com indica\u00e7\u00e3o da ferramenta espec\u00edfica empregada, e reafirmando que os autores s\u00e3o inteiramente respons\u00e1veis pelo conte\u00fado do manuscrito, inclusive pelas partes produzidas pela ferramenta, respondendo por qualquer viola\u00e7\u00e3o de \u00e9tica em publica\u00e7\u00e3o (COPE, 2024).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 um ponto de m\u00e9todo que merece registro para o leitor brasileiro. Essas orienta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o normas jur\u00eddicas e n\u00e3o vinculam por for\u00e7a de lei: elas vinculam por ades\u00e3o dos peri\u00f3dicos, e \u00e9 a pol\u00edtica do peri\u00f3dico de destino que efetivamente governa cada submiss\u00e3o. Da\u00ed a recomenda\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de sempre consultar as instru\u00e7\u00f5es aos autores da revista escolhida antes de redigir a declara\u00e7\u00e3o, porque o grau de detalhe exigido varia, e o que satisfaz um peri\u00f3dico pode ser insuficiente em outro.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do outro lado da mesa: o parecerista<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o p\u00fablica concentrou-se no autor, mas a atualiza\u00e7\u00e3o de 2026 tratou tamb\u00e9m de quem avalia, e \u00e9 ali que est\u00e1 o risco menos percebido. O parecerista recebe um manuscrito n\u00e3o publicado sob dever de confidencialidade, isto \u00e9, recebe material intelectual alheio, ainda n\u00e3o protegido pela publica\u00e7\u00e3o, com a obriga\u00e7\u00e3o de n\u00e3o o divulgar nem utilizar em proveito pr\u00f3prio. Carregar esse manuscrito em uma plataforma de intelig\u00eancia artificial de terceiros \u00e9, a rigor, um ato de divulga\u00e7\u00e3o a um terceiro cujas pr\u00e1ticas de reten\u00e7\u00e3o e de uso de dados o revisor n\u00e3o controla.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As recomenda\u00e7\u00f5es vigentes enfrentam o problema em quatro comandos. O revisor deve observar a pol\u00edtica do peri\u00f3dico sobre uso de intelig\u00eancia artificial, ou solicitar autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via antes de empreg\u00e1-la. Deve <strong>preservar a confidencialidade do manuscrito<\/strong>, evitando carreg\u00e1-lo em plataformas nas quais o sigilo n\u00e3o possa ser assegurado, salvo autoriza\u00e7\u00e3o expressa da revista. Deve informar ao peri\u00f3dico o uso que tenha feito da ferramenta. E permanece respons\u00e1vel pela validade do conte\u00fado do parecer, reconhecendo que sistemas dessa natureza produzem resultados incorretos, incompletos ou enviesados (ICMJE, 2026).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O \u00faltimo comando merece \u00eanfase porque toca a subst\u00e2ncia do que a revis\u00e3o por pares \u00e9. Um parecer gerado por sistema de linguagem tende a ser fluente, cort\u00eas e estruturado, e por isso mesmo pode passar por adequado sem s\u00ea-lo. Ele n\u00e3o distingue com seguran\u00e7a o erro metodol\u00f3gico grave do detalhe de reda\u00e7\u00e3o, n\u00e3o confere se a an\u00e1lise estat\u00edstica corresponde ao delineamento declarado e n\u00e3o sabe quando calar por n\u00e3o ter compet\u00eancia sobre o tema. Um parecer assim entregue transfere ao editor uma avalia\u00e7\u00e3o sem avaliador, o que \u00e9 uma forma silenciosa de falha de integridade, ainda que nenhuma regra escrita tenha sido literalmente transgredida.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conv\u00e9m acrescentar a nota de cautela que o pr\u00f3prio campo vem fazendo. A promessa de confidencialidade absoluta em qualquer plataforma externa \u00e9 fr\u00e1gil, e a decis\u00e3o prudente, na d\u00favida sobre as garantias de sigilo de um servi\u00e7o, \u00e9 n\u00e3o submeter o manuscrito a ele, empregando a ferramenta, se for o caso, apenas sobre texto de autoria do pr\u00f3prio revisor, como o polimento da reda\u00e7\u00e3o do parecer j\u00e1 formulado.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias que nunca existiram<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nenhum argumento normativo convence tanto quanto o dado emp\u00edrico, e nesse ponto a evid\u00eancia \u00e9 desconfort\u00e1vel. Estudo que examinou centenas de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas geradas por sistemas de linguagem em artigos sobre temas variados encontrou propor\u00e7\u00e3o expressiva de cita\u00e7\u00f5es fabricadas, isto \u00e9, que n\u00e3o correspondem a obra real alguma, al\u00e9m de erros substanciais em parte consider\u00e1vel das cita\u00e7\u00f5es que remetiam a obras existentes, com desempenho bastante distinto entre vers\u00f5es sucessivas do mesmo sistema (Walters e Wilder, 2023).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas cautelas ao usar esse achado. A primeira \u00e9 de data\u00e7\u00e3o: os dados se referem a vers\u00f5es dispon\u00edveis em 2023, e as taxas variam de modo apreci\u00e1vel entre modelos, entre vers\u00f5es do mesmo modelo e conforme o sistema tenha ou n\u00e3o acesso a bases bibliogr\u00e1ficas reais no momento da consulta. Afirmar hoje um percentual fixo de fabrica\u00e7\u00e3o seria impreciso. A segunda cautela \u00e9 conceitual e independe da primeira: <strong>o mecanismo que produz a fabrica\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi eliminado<\/strong>, porque sistemas de linguagem geram sequ\u00eancias plaus\u00edveis, e uma refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica veross\u00edmil \u00e9, do ponto de vista estat\u00edstico, t\u00e3o f\u00e1cil de produzir quanto uma verdadeira. A redu\u00e7\u00e3o das taxas mitiga o problema, n\u00e3o o extingue, e a diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia do erro tem um efeito colateral perverso, que \u00e9 reduzir a vigil\u00e2ncia de quem verifica.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed a obriga\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica que decorre de tudo isso, e que \u00e9 a mais simples de enunciar e a menos cumprida: <strong>cada refer\u00eancia deve ser verificada individualmente na fonte<\/strong>, pelo identificador de objeto digital ou pela base indexada, conferindo t\u00edtulo, autoria, peri\u00f3dico, ano e pagina\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 tarefa sofisticada, leva poucos minutos por item e dispensa qualquer ferramenta especial. Uma refer\u00eancia fabricada que sobrevive at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o compromete o autor, o revisor que n\u00e3o conferiu e o peri\u00f3dico que a imprimiu, e a retrata\u00e7\u00e3o decorrente n\u00e3o distingue quem digitou o erro de quem o deixou passar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo racioc\u00ednio se estende ao conte\u00fado. Afirma\u00e7\u00f5es factuais sugeridas pela ferramenta, dados num\u00e9ricos, atribui\u00e7\u00f5es de posi\u00e7\u00e3o a autores determinados e s\u00ednteses de literatura precisam ser confrontadas com as fontes prim\u00e1rias. A flu\u00eancia do texto gerado \u00e9 persuasiva justamente onde deveria acender o alerta, porque a confian\u00e7a que a boa prosa inspira n\u00e3o guarda rela\u00e7\u00e3o alguma com a corre\u00e7\u00e3o do que ela afirma.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que declarar, onde e com que detalhe<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reunidos os elementos, a declara\u00e7\u00e3o de uso deixa de ser f\u00f3rmula de cortesia e assume a fun\u00e7\u00e3o que lhe cabe, que \u00e9 a de informar ao leitor o que ele precisa saber para avaliar o texto. Uma boa declara\u00e7\u00e3o responde a quatro perguntas. Qual ferramenta foi usada, com nome e, quando poss\u00edvel, vers\u00e3o, j\u00e1 que o desempenho varia entre elas. Em que etapas foi usada, distinguindo levantamento inicial, estrutura\u00e7\u00e3o, reda\u00e7\u00e3o, revis\u00e3o de l\u00edngua e an\u00e1lise de dados. Qual o grau de interven\u00e7\u00e3o humana sobre o produto gerado. E quem responde pelo resultado final, ponto em que a resposta \u00e9 sempre a mesma, o autor.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao lugar, as orienta\u00e7\u00f5es convergem para a se\u00e7\u00e3o de materiais e m\u00e9todos nos artigos que a possuem, com men\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na carta de apresenta\u00e7\u00e3o ao editor no momento da submiss\u00e3o. Em textos que n\u00e3o t\u00eam se\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos, como editoriais, cartas, cap\u00edtulos e materiais de divulga\u00e7\u00e3o, o lugar natural \u00e9 uma nota ao final, o que \u00e9 precisamente a solu\u00e7\u00e3o adotada neste blog. J\u00e1 as revistas que exigem formul\u00e1rio pr\u00f3prio de divulga\u00e7\u00e3o no sistema de submiss\u00e3o devem ser atendidas nos termos do formul\u00e1rio, sem preju\u00edzo da men\u00e7\u00e3o no texto.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas fronteiras merecem ser explicitadas, porque geram d\u00favida recorrente. A primeira separa <strong>revis\u00e3o de l\u00edngua de produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/strong>: corrigir a gram\u00e1tica de um par\u00e1grafo que o autor escreveu \u00e9 atividade de outra natureza que escrever o par\u00e1grafo a partir de um comando, e a declara\u00e7\u00e3o deve permitir ao leitor distinguir uma coisa da outra. A segunda separa uso na pesquisa de uso na escrita: empregar um modelo para classificar imagens, extrair vari\u00e1veis de prontu\u00e1rios ou analisar dados \u00e9 decis\u00e3o metodol\u00f3gica que precisa constar dos m\u00e9todos com detalhe suficiente para replica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se confunde com a declara\u00e7\u00e3o de aux\u00edlio \u00e0 reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale ainda uma palavra sobre o receio de declarar. H\u00e1 pesquisadores que temem que a transpar\u00eancia sobre o uso deprecie o trabalho aos olhos do revisor. O argumento contr\u00e1rio \u00e9 mais forte, e vem sendo defendido por quem prop\u00f5e diretrizes vivas para o campo, isto \u00e9, orienta\u00e7\u00f5es que se atualizem no ritmo da tecnologia e mantenham a supervis\u00e3o humana no centro (Bockting et al., 2023): a credibilidade da literatura depende da possibilidade de auditar como o conhecimento foi produzido, e uma comunidade em que o uso \u00e9 generalizado e a declara\u00e7\u00e3o \u00e9 rara constr\u00f3i exatamente o oposto disso. Omitir o uso, al\u00e9m do mais, converte uma pr\u00e1tica leg\u00edtima em falta disciplinar, pelo simples fato da omiss\u00e3o.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um modelo m\u00ednimo de declara\u00e7\u00e3o<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo a seguir pode ser adaptado. Ele n\u00e3o substitui a pol\u00edtica do peri\u00f3dico de destino, que sempre prevalece, e destina-se sobretudo a textos sem se\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos, embora sua estrutura sirva de roteiro tamb\u00e9m para a reda\u00e7\u00e3o da nota nos artigos originais.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este texto foi produzido com aux\u00edlio de [nome da ferramenta e vers\u00e3o], desenvolvida por [empresa], empregada nas etapas de [levantamento inicial de literatura, estrutura\u00e7\u00e3o do conte\u00fado, reda\u00e7\u00e3o do texto, revis\u00e3o de l\u00edngua]. Todo o conte\u00fado gerado foi revisado e editado pelo autor, e todas as refer\u00eancias foram verificadas individualmente nas fontes prim\u00e1rias. A responsabilidade pela vers\u00e3o final, pela precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, pela sele\u00e7\u00e3o das fontes e pelo conte\u00fado publicado \u00e9 integralmente do autor.<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro coment\u00e1rios sobre os elementos. O nome e a vers\u00e3o importam porque o comportamento das ferramentas difere, e uma declara\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica que se refira apenas a intelig\u00eancia artificial n\u00e3o permite ao leitor avaliar nada. A enumera\u00e7\u00e3o das etapas \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da declara\u00e7\u00e3o, porque situa o uso no espectro examinado na segunda se\u00e7\u00e3o, e \u00e9 ela que deve ser adaptada com honestidade a cada texto, suprimindo as etapas que n\u00e3o ocorreram. A men\u00e7\u00e3o expressa \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o das refer\u00eancias cumpre fun\u00e7\u00e3o dupla, pois informa o leitor e compromete o autor com a confer\u00eancia, tornando a omiss\u00e3o dela uma afirma\u00e7\u00e3o falsa, e n\u00e3o mero descuido. A cl\u00e1usula final de responsabilidade n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica: ela enuncia o que as recomenda\u00e7\u00f5es internacionais j\u00e1 imp\u00f5em, e sua presen\u00e7a expl\u00edcita evita que algu\u00e9m suponha responsabilidade compartilhada com o sistema.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma \u00faltima recomenda\u00e7\u00e3o de m\u00e9todo, dirigida a quem orienta. Vale estabelecer com o grupo de pesquisa, por escrito e antes do pr\u00f3ximo manuscrito, qual patamar de uso \u00e9 aceit\u00e1vel, quem verifica cada refer\u00eancia e como a declara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 redigida. Combinar isso depois do incidente \u00e9 sempre mais custoso, e o incidente, na cena que abre este texto, custou ao orientando a confian\u00e7a do orientador em tudo o mais que ele havia escrito.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pergunta que d\u00e1 t\u00edtulo a este texto tem resposta curta: assina quem responde. Tudo o mais decorre disso. A recusa da autoria de m\u00e1quinas, o dever de declarar o uso, a obriga\u00e7\u00e3o de verificar cada refer\u00eancia e a cautela do parecerista com a confidencialidade n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos erguidos contra uma tecnologia \u00fatil, s\u00e3o desdobramentos de um princ\u00edpio antigo, segundo o qual cr\u00e9dito e responsabilidade caminham juntos e n\u00e3o podem ser dissociados sem que a literatura cient\u00edfica perca aquilo que a torna utiliz\u00e1vel, que \u00e9 a possibilidade de saber a quem pedir contas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, para o pesquisador em forma\u00e7\u00e3o, uma implica\u00e7\u00e3o que ultrapassa a conformidade normativa. Delegar a formula\u00e7\u00e3o do argumento \u00e9 abrir m\u00e3o justamente da parte do trabalho em que o of\u00edcio se aprende, e o custo n\u00e3o aparece no manuscrito submetido, aparece anos depois, na dificuldade de sustentar em uma banca um racioc\u00ednio que nunca foi realmente constru\u00eddo. A ferramenta faz muito bem aquilo que \u00e9 mec\u00e2nico na escrita acad\u00eamica, e quem a usa nesse registro ganha tempo para o que \u00e9 propriamente intelectual. A quest\u00e3o que cada pesquisador deve endere\u00e7ar a si mesmo, ao terminar um texto assim produzido, n\u00e3o \u00e9 se a declara\u00e7\u00e3o est\u00e1 redigida nos termos exigidos, mas se ele \u00e9 capaz de defender, linha por linha, tudo aquilo que acaba de assinar.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fontes<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>[1].<\/strong> Flanagin A, Bibbins-Domingo K, Berkwits M, Christiansen SL. Nonhuman &#8220;authors&#8221; and implications for the integrity of scientific publication and medical knowledge. JAMA. 2023;329(8):637-9.<br \/>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344\">https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344<\/a><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344\">https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344<\/a><br \/><em>Coment\u00e1rio: editorial que fixou o fundamento da recusa de autoria a sistemas de intelig\u00eancia artificial, ancorado na impossibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o e na preserva\u00e7\u00e3o da cadeia de integridade da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Sustenta a primeira se\u00e7\u00e3o do texto e \u00e9 a refer\u00eancia de partida para quem precise justificar a posi\u00e7\u00e3o em ambiente acad\u00eamico.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>[2].<\/strong> Thorp HH. ChatGPT is fun, but not an author. Science. 2023;379(6630):313.<br \/>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879\">https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879<\/a><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879\">https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879<\/a><br \/><em>Coment\u00e1rio: editorial breve e de grande circula\u00e7\u00e3o que enunciou a posi\u00e7\u00e3o de um dos principais peri\u00f3dicos generalistas sobre autoria de sistemas conversacionais. Fundamenta a formula\u00e7\u00e3o direta reproduzida na primeira se\u00e7\u00e3o e documenta a rapidez com que a comunidade editorial reagiu ao problema.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>[3].<\/strong> Hosseini M, Rasmussen LM, Resnik DB. Using AI to write scholarly publications. Account Res. 2024;31(7):715-23.<br \/>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/08989621.2023.2168535\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/08989621.2023.2168535<\/a><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1080\/08989621.2023.2168535\">https:\/\/doi.org\/10.1080\/08989621.2023.2168535<\/a><br \/><em>Coment\u00e1rio: an\u00e1lise que trata o uso de intelig\u00eancia artificial na escrita acad\u00eamica como espectro de intensidades, e n\u00e3o como categoria \u00fanica, distinguindo assist\u00eancia de superf\u00edcie de delega\u00e7\u00e3o intelectual. Fundamenta a segunda se\u00e7\u00e3o deste texto e oferece o vocabul\u00e1rio conceitual para classificar o pr\u00f3prio uso antes de declar\u00e1-lo.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>[4].<\/strong> Walters WH, Wilder EI. Fabrication and errors in the bibliographic citations generated by ChatGPT. Sci Rep. 2023;13:14045.<br \/>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-023-41032-5\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-023-41032-5<\/a><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-023-41032-5\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41598-023-41032-5<\/a><br \/><em>Coment\u00e1rio: estudo emp\u00edrico que quantificou refer\u00eancias fabricadas e erros em cita\u00e7\u00f5es geradas por sistemas de linguagem, comparando vers\u00f5es sucessivas do mesmo sistema. Sustenta a quinta se\u00e7\u00e3o e \u00e9 o argumento decisivo em favor da verifica\u00e7\u00e3o individual de cada refer\u00eancia, ainda que suas taxas espec\u00edficas devam ser lidas com a data\u00e7\u00e3o devida.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>[5].<\/strong> Bockting CL, van Dis EAM, van Rooij R, Zuidema W, Bollen J. Living guidelines for generative AI, why scientists must oversee its use. Nature. 2023;622:693-6.<br \/>DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-03266-1\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-03266-1<\/a><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-03266-1\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-03266-1<\/a><br \/><em>Coment\u00e1rio: proposta de diretrizes vivas para o uso cient\u00edfico de intelig\u00eancia artificial generativa, isto \u00e9, orienta\u00e7\u00f5es atualiz\u00e1veis no ritmo da tecnologia, com supervis\u00e3o humana no centro. Fundamenta a defesa da transpar\u00eancia apresentada na sexta se\u00e7\u00e3o e situa o debate para al\u00e9m da conformidade pontual com pol\u00edticas editoriais.<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Documentos normativos citados no corpo do texto, sem identificador de objeto digital: Recomenda\u00e7\u00f5es do International Committee of Medical Journal Editors, se\u00e7\u00e3o sobre uso de intelig\u00eancia artificial, atualiza\u00e7\u00e3o de janeiro de 2026, dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.icmje.org\/recommendations\/browse\/artificial-intelligence\/\">https:\/\/www.icmje.org\/recommendations\/browse\/artificial-intelligence\/<\/a>, consultado em 13\/09\/2026; Committee on Publication Ethics, posi\u00e7\u00e3o sobre autoria e ferramentas de intelig\u00eancia artificial, dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/publicationethics.org\/guidance\/cope-position\/authorship-and-ai-tools\">https:\/\/publicationethics.org\/guidance\/cope-position\/authorship-and-ai-tools<\/a>, consultado em 13\/09\/2026.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos para Recordar<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<ol class=\"wp-block-list\">\r\n<li>Sistemas de intelig\u00eancia artificial n\u00e3o podem ser autores porque n\u00e3o s\u00e3o responsabiliz\u00e1veis, e n\u00e3o porque sua contribui\u00e7\u00e3o seja irrelevante.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>A autoria cient\u00edfica amarra cr\u00e9dito e responsabiliza\u00e7\u00e3o no mesmo n\u00f3, de modo que quem assina responde inclusive pelas partes que n\u00e3o redigiu.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>O uso de intelig\u00eancia artificial na escrita forma um espectro que vai da corre\u00e7\u00e3o de l\u00edngua \u00e0 delega\u00e7\u00e3o do argumento, e o dever de declarar cresce ao longo dele.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>A atualiza\u00e7\u00e3o de janeiro de 2026 das recomenda\u00e7\u00f5es internacionais dedicou se\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria ao tema, com deveres distintos para autores, revisores e editores.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>O parecerista n\u00e3o deve carregar manuscrito n\u00e3o publicado em plataforma que n\u00e3o assegure confidencialidade, e permanece respons\u00e1vel pela validade do parecer.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>Refer\u00eancias geradas por sistemas de linguagem podem ser fabricadas ou conter erros, o que torna a verifica\u00e7\u00e3o individual de cada cita\u00e7\u00e3o obriga\u00e7\u00e3o intransfer\u00edvel do autor.<\/li>\r\n\r\n\r\n\r\n<li>Uma declara\u00e7\u00e3o de uso \u00fatil informa a ferramenta e sua vers\u00e3o, as etapas em que foi empregada, o grau de revis\u00e3o humana e quem responde pelo resultado final.<\/li>\r\n<\/ol>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\r\n\r\n\r\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #000080;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o de uso de Intelig\u00eancia Artificial Generativa|<br \/><\/strong><em>Este texto foi produzido com o aux\u00edlio de Claude, desenvolvida pela Anthropic, utilizado como ferramenta de apoio nas fases de brainstorming, de estrutura\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e de produ\u00e7\u00e3o do texto. A responsabilidade pela vers\u00e3o final e precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, pelo pensamento cr\u00edtico, pela sele\u00e7\u00e3o das fontes e pelo conte\u00fado publicado \u00e9 integralmente do autor.<\/em><\/span><\/p>\r\n\r\n\r\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto examina por que sistemas de intelig\u00eancia artificial generativa n\u00e3o podem figurar como autores de trabalhos cient\u00edficos, quest\u00e3o que decorre da impossibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o, e o que isso imp\u00f5e a quem assina. Percorre o espectro de usos poss\u00edveis, da corre\u00e7\u00e3o de l\u00edngua \u00e0 delega\u00e7\u00e3o do argumento, apresenta a se\u00e7\u00e3o dedicada ao tema na atualiza\u00e7\u00e3o de janeiro de 2026 das recomenda\u00e7\u00f5es internacionais, incluindo os deveres do parecerista quanto \u00e0 confidencialidade, discute a fabrica\u00e7\u00e3o de refer\u00eancias e a obriga\u00e7\u00e3o de verific\u00e1-las, e prop\u00f5e um modelo m\u00ednimo de declara\u00e7\u00e3o de uso, comentado elemento por elemento.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[71],"tags":[17,49,28],"class_list":["post-7973","post","type-post","status-publish","format-standard","category-etica-e-integridade","tag-etica-em-pesquisa","tag-integridade-cientifica","tag-inteligencia-artificial","czr-hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7973","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=7973"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7973\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7977,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/7973\/revisions\/7977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=7973"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=7973"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=7973"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}