{"id":8291,"date":"2026-09-24T10:03:22","date_gmt":"2026-09-24T10:03:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=8291"},"modified":"2026-09-24T10:10:53","modified_gmt":"2026-09-24T10:10:53","slug":"declaracao-de-uso-da-inteligencia-humana-quem-responde-pelo-que-se-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/?p=8291","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana: quem responde pelo que se publica"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Quem responde pelo texto quando a intelig\u00eancia artificial ajuda a escrev\u00ea-lo<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: right;\">Aldemar Araujo Castro<br \/>\nCria\u00e7\u00e3o: 23\/09\/2026<br \/>\nAtualiza\u00e7\u00e3o: 23\/09\/2026<br \/>\nPalavras: 1448<br \/>\nTempo de leitura: 7 minutos<\/p>\n<p><strong>Tela acesa \u00e0 noite<br \/>\no dedo apaga uma linha<br \/>\no cursor espera<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resumo.<\/strong> Este texto apresenta a declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana, proposta que inverte o foco das declara\u00e7\u00f5es de uso de intelig\u00eancia artificial generativa exigidas por peri\u00f3dicos e institui\u00e7\u00f5es. Parte das pol\u00edticas editoriais que vedam a autoria de ferramentas, examina o que a transpar\u00eancia centrada na ferramenta deixa de dizer e reproduz a declara\u00e7\u00e3o na \u00edntegra. Discute, em seguida, a falibilidade da intelig\u00eancia humana e a continuidade da responsabilidade autoral, anterior \u00e0 intelig\u00eancia artificial. O leitor encontrar\u00e1 um argumento para ler a declara\u00e7\u00e3o como complemento, e n\u00e3o como substituto, das exig\u00eancias formais, e um convite a redigir a sua pr\u00f3pria.<\/p>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Quem submeteu um manuscrito recentemente conhece o novo campo do formul\u00e1rio. Entre a declara\u00e7\u00e3o de conflitos de interesse e a de financiamento, surge a pergunta sobre o uso de intelig\u00eancia artificial (IA) generativa: se foi utilizada, qual ferramenta, em que etapa do trabalho. A pergunta \u00e9 pertinente, e respond\u00ea-la com franqueza tornou-se parte da boa conduta cient\u00edfica.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, algo que esse campo n\u00e3o pergunta. Ele quer saber que ferramenta foi usada, mas n\u00e3o indaga quem a usou, com que crit\u00e9rio, sob que d\u00favidas e com que responsabilidade. Pressup\u00f5e esse sujeito sem nome\u00e1-lo. Este texto prop\u00f5e nome\u00e1-lo, por meio de uma declara\u00e7\u00e3o que talvez soe, \u00e0 primeira leitura, como ironia: a declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Antes de apresent\u00e1-la, conv\u00e9m entender de onde v\u00eam as declara\u00e7\u00f5es de uso de IA e o que elas pretendem proteger.<\/p>\n<h2>O que as declara\u00e7\u00f5es de IA exigem, e por qu\u00ea<\/h2>\n<p>No in\u00edcio de 2023, poucos meses ap\u00f3s o lan\u00e7amento do ChatGPT, artigos e preprints chegaram a listar o sistema como coautor, com afilia\u00e7\u00e3o institucional e at\u00e9 endere\u00e7o eletr\u00f4nico, e parte desses registros foi indexada em bases como o PubMed e o Google Scholar (Flanagin et al., 2023). A rea\u00e7\u00e3o das revistas foi r\u00e1pida. A Nature estabeleceu que nenhum modelo de linguagem seria aceito como autor, porque a atribui\u00e7\u00e3o de autoria implica responder pelo trabalho, e orientou os pesquisadores a registrar o uso dessas ferramentas nos m\u00e9todos ou nos agradecimentos (Nature, 2023). A Science, em sua formula\u00e7\u00e3o inicial, foi al\u00e9m: vedou o uso de texto gerado por essas ferramentas nos artigos e equiparou a viola\u00e7\u00e3o a m\u00e1 conduta cient\u00edfica (Thorp, 2023).<\/p>\n<p>As pol\u00edticas variaram em rigor, mas convergiram num ponto. O fundamento da recusa n\u00e3o \u00e9 t\u00e9cnico, e sim moral: a ferramenta pode produzir texto fluente, mas n\u00e3o pode responder por ele. N\u00e3o pode ser questionada sobre uma escolha, corrigir um erro depois da publica\u00e7\u00e3o nem assumir as consequ\u00eancias de uma afirma\u00e7\u00e3o falsa. Flanagin et al. (2023) situam a quest\u00e3o no plano da integridade: a confian\u00e7a no conhecimento m\u00e9dico publicado depende de que haja pessoas identific\u00e1veis respons\u00e1veis pelo que se afirma. Da\u00ed a dupla exig\u00eancia que se consolidou desde ent\u00e3o, de transpar\u00eancia quanto ao uso das ferramentas e de responsabilidade integral dos autores pelo conte\u00fado.<\/p>\n<h2>O que a transpar\u00eancia sobre a ferramenta deixa na sombra<\/h2>\n<p>Declarar o uso de IA n\u00e3o \u00e9 tarefa trivial. Hosseini, Resnik e Holmes (2023) argumentam que proibi\u00e7\u00f5es tendem a ser inexequ\u00edveis e a estimular o uso n\u00e3o declarado, e lembram que essas ferramentas podem ter usos leg\u00edtimos, sobretudo para quem pesquisa e escreve em idioma diverso do materno. Prop\u00f5em, por isso, que o uso seja declarado no pr\u00f3prio corpo do trabalho, nos m\u00e9todos, em cita\u00e7\u00f5es ou em material suplementar. Sustentam, ainda, que a ferramenta n\u00e3o deve figurar sequer nos agradecimentos, pois lhe falta vontade pr\u00f3pria e ela n\u00e3o pode ser responsabilizada moral nem legalmente.<\/p>\n<p>O debate, contudo, gira quase inteiramente em torno da ferramenta: qual foi usada, em que etapa, com que instru\u00e7\u00f5es, em que propor\u00e7\u00e3o do texto final. \u00c9 uma aten\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas produz um efeito colateral. Quanto mais minuciosa a descri\u00e7\u00e3o do que a m\u00e1quina fez, mais o agente humano aparece como pano de fundo, como se sua participa\u00e7\u00e3o fosse evidente demais para merecer registro. Ora, \u00e9 justamente essa participa\u00e7\u00e3o que sustenta toda a exig\u00eancia. Se a ferramenta n\u00e3o pode ser autora porque n\u00e3o responde, a declara\u00e7\u00e3o que importa, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 a de quem responde. O texto a seguir procura dizer isso em voz alta.<\/p>\n<h2>A declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana<\/h2>\n<p>Reproduzo abaixo o texto integral, na forma em que passo a adot\u00e1-lo como complemento das declara\u00e7\u00f5es formais de uso de IA.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana<\/strong><\/p>\n<p>Declaro que a elabora\u00e7\u00e3o deste trabalho contou com o uso de intelig\u00eancia humana desde a idea\u00e7\u00e3o, passando pela formula\u00e7\u00e3o das perguntas, pela escolha dos argumentos, pela interpreta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es e pelas decis\u00f5es sobre o que comunicar.<\/p>\n<p>Essa intelig\u00eancia gerenciou o uso dos recursos tecnol\u00f3gicos, incluindo computadores, internet, processadores eletr\u00f4nicos de texto, corretores ortogr\u00e1ficos, planilhas de dados e aplicativos de cria\u00e7\u00e3o de desenhos e imagens. Tamb\u00e9m orquestrou o uso de recursos de intelig\u00eancia artificial generativa, definindo suas finalidades, orientando as solicita\u00e7\u00f5es, avaliando as respostas e decidindo o que incorporar, modificar ou descartar.<\/p>\n<p>Seu uso envolveu curiosidade, mem\u00f3ria, experi\u00eancia, d\u00favida e julgamento cr\u00edtico. Reconhe\u00e7o que essa intelig\u00eancia est\u00e1 sujeita a vieses, cansa\u00e7o, lacunas de conhecimento e erros, inclusive quando se expressa com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>As ferramentas utilizadas apoiaram o processo de cria\u00e7\u00e3o. A responsabilidade pelo conte\u00fado que escolhi publicar, por suas implica\u00e7\u00f5es e pelas corre\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias permanece minha.<\/p>\n<p>Declaro, por fim, que o exerc\u00edcio da intelig\u00eancia humana inclui reconhecer o que n\u00e3o sei, verificar o que afirmo e rever o que penso diante de boas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a responsabilidade humana pelo que se publica sempre foi essa, mesmo antes da IA generativa.<\/p>\n<p><em>Este texto contou com participa\u00e7\u00e3o humana consciente, fal\u00edvel e respons\u00e1vel.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o tem uma estrutura deliberada. Descreve primeiro o que a intelig\u00eancia humana fez, depois o que ela gerenciou, em seguida os seus limites e, por fim, a responsabilidade que dela decorre. Nenhuma dessas partes nega o uso das ferramentas. Todas recusam que o uso das ferramentas seja a parte principal da hist\u00f3ria.<\/p>\n<h2>Uma intelig\u00eancia que tamb\u00e9m erra<\/h2>\n<p>Seria f\u00e1cil ler a declara\u00e7\u00e3o como elogio da intelig\u00eancia humana diante da m\u00e1quina. N\u00e3o \u00e9 esse o seu sentido. O terceiro par\u00e1grafo reconhece que essa intelig\u00eancia est\u00e1 sujeita a vieses, cansa\u00e7o, lacunas e erros, inclusive quando se expressa com seguran\u00e7a. A ressalva n\u00e3o \u00e9 ret\u00f3rica. A metaci\u00eancia acumulou evid\u00eancias de que o pesquisador humano, sem o aux\u00edlio de algoritmo algum, enxerga padr\u00f5es onde h\u00e1 ru\u00eddo, favorece os dados que confirmam suas expectativas e apresenta como previstas hip\u00f3teses que s\u00f3 formulou depois de conhecer os resultados (Munaf\u00f2 et al., 2017).<\/p>\n<p>Munaf\u00f2 et al. (2017) descrevem essas amea\u00e7as \u00e0 ci\u00eancia reprodut\u00edvel, entre elas a flexibilidade anal\u00edtica, a repeti\u00e7\u00e3o de an\u00e1lises at\u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de signific\u00e2ncia estat\u00edstica e o vi\u00e9s de publica\u00e7\u00e3o, e prop\u00f5em salvaguardas como o pr\u00e9-registro, o cegamento e o compartilhamento de dados. O ponto relevante para esta discuss\u00e3o \u00e9 que essas salvaguardas foram concebidas para proteger a ci\u00eancia de erros humanos, antes de a IA generativa entrar em cena. A falibilidade n\u00e3o \u00e9 novidade trazida pela m\u00e1quina: \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de quem pesquisa.<\/p>\n<p>Por isso a declara\u00e7\u00e3o termina com verbos de revis\u00e3o. Exercer a intelig\u00eancia humana, diz o texto, inclui reconhecer o que n\u00e3o se sabe, verificar o que se afirma e rever o que se pensa diante de boas raz\u00f5es. A mesma verifica\u00e7\u00e3o que se exige das respostas de um assistente de IA deve ser exigida das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es. Quem confere a refer\u00eancia sugerida pela m\u00e1quina, mas n\u00e3o confere a que tirou da mem\u00f3ria, aplica o rigor pela metade.<\/p>\n<h2>Responsabilidade: o que a IA n\u00e3o mudou<\/h2>\n<p>A frase mais breve da declara\u00e7\u00e3o talvez seja a mais importante: a responsabilidade humana pelo que se publica sempre foi essa, mesmo antes da IA generativa. As normas de autoria nunca exigiram que o autor escrevesse cada palavra sem ajuda. Revisores de idioma, estat\u00edsticos, bibliotec\u00e1rios, orientadores e programas de an\u00e1lise sempre participaram da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. O que sempre se exigiu foi que algu\u00e9m respondesse pelo conjunto: pelas escolhas, pelas afirma\u00e7\u00f5es e pelas corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A IA generativa n\u00e3o criou esse dever, apenas o tornou mais vis\u00edvel. Ao produzir texto plaus\u00edvel em segundos, ela reduz o custo de escrever e, com isso, aumenta o valor relativo de tudo aquilo que n\u00e3o se automatiza: formular a pergunta certa, reconhecer a resposta errada, decidir o que merece ser dito. \u00c9 nesse sentido que a declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana deve ser lida como complemento, e n\u00e3o como substituto, das declara\u00e7\u00f5es formais. Estas informam quais recursos foram usados, aquela lembra quem responde por eles. Quem publica em peri\u00f3dico continua obrigado a seguir as normas da revista, e nenhuma declara\u00e7\u00e3o autoral dispensa essa obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h2>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es de uso de IA nasceram de uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima com a integridade da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e cumprem bem o papel de tornar transparente o uso das ferramentas. Ao concentrar-se nelas, por\u00e9m, arriscam deixar impl\u00edcito o que mais importa: a presen\u00e7a de algu\u00e9m que pergunta, julga, decide e responde. A declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana procura nomear essa presen\u00e7a, sem esconder os seus limites e sem disputar protagonismo com a m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Fica ao leitor um convite. Na pr\u00f3xima vez em que preencher o campo sobre o uso de IA, pergunte-se tamb\u00e9m o que diria uma declara\u00e7\u00e3o sobre a sua pr\u00f3pria participa\u00e7\u00e3o: que perguntas foram suas, que respostas voc\u00ea recusou, o que verificou e o que deixou de verificar. Talvez essa segunda declara\u00e7\u00e3o nunca seja exigida por formul\u00e1rio algum. Ainda assim, \u00e9 ela que distingue quem usa ferramentas de quem apenas as deixa trabalhar, e \u00e9 ela que d\u00e1 sentido \u00e0 assinatura ao p\u00e9 do texto.<\/p>\n<h2>Fontes<\/h2>\n<p><strong>[1].<\/strong> Flanagin A, Bibbins-Domingo K, Berkwits M, Christiansen SL. Nonhuman \u201cauthors\u201d and implications for the integrity of scientific publication and medical knowledge. JAMA. 2023;329(8):637-9. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344\">https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2023.1344<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2801170\">https:\/\/jamanetwork.com\/journals\/jama\/fullarticle\/2801170<\/a> <em>Coment\u00e1rio: Editorial dos editores do JAMA publicado logo ap\u00f3s os primeiros artigos que listaram o ChatGPT como autor. Documenta o epis\u00f3dio, re\u00fane as primeiras rea\u00e7\u00f5es editoriais e situa o problema no plano da integridade do conhecimento m\u00e9dico. Sustenta o argumento de que a autoria pressup\u00f5e pessoas identific\u00e1veis e respons\u00e1veis pelo que se publica.<\/em><\/p>\n<p><strong>[2].<\/strong> Tools such as ChatGPT threaten transparent science; here are our ground rules for their use [editorial]. Nature. 2023;613(7945):612. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-00191-1\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/d41586-023-00191-1<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-023-00191-1\">https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-023-00191-1<\/a> <em>Coment\u00e1rio: Editorial que fixou as duas regras iniciais da Nature: nenhum modelo de linguagem como autor e registro obrigat\u00f3rio do uso nos m\u00e9todos ou nos agradecimentos. \u00c9 a formula\u00e7\u00e3o mais citada do fundamento moral da recusa, ao vincular autoria e responsabilidade. Serve de refer\u00eancia para a primeira se\u00e7\u00e3o do texto.<\/em><\/p>\n<p><strong>[3].<\/strong> Thorp HH. ChatGPT is fun, but not an author. Science. 2023;379(6630):313. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879\">https:\/\/doi.org\/10.1126\/science.adg7879<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adg7879\">https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.adg7879<\/a> <em>Coment\u00e1rio: Editorial do editor-chefe da Science que apresentou a pol\u00edtica inicial, mais restritiva, da fam\u00edlia de revistas. Ilustra o extremo do espectro das respostas editoriais, com a equipara\u00e7\u00e3o do uso n\u00e3o autorizado a m\u00e1 conduta. \u00datil para mostrar a varia\u00e7\u00e3o de rigor entre as pol\u00edticas e o ponto em que todas convergem.<\/em><\/p>\n<p><strong>[4].<\/strong> Hosseini M, Resnik DB, Holmes K. The ethics of disclosing the use of artificial intelligence tools in writing scholarly manuscripts. Res Ethics. 2023;19(4):449-65. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/17470161231180449\">https:\/\/doi.org\/10.1177\/17470161231180449<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/17470161231180449\">https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/17470161231180449<\/a> <em>Coment\u00e1rio: An\u00e1lise \u00e9tica de como declarar o uso de IA na escrita acad\u00eamica. Argumenta contra proibi\u00e7\u00f5es, por serem inexequ\u00edveis e estimularem o uso oculto, e prop\u00f5e formas concretas de declara\u00e7\u00e3o. Refor\u00e7a que a ferramenta n\u00e3o pode ser responsabilizada, o que sustenta a tese de que a declara\u00e7\u00e3o decisiva \u00e9 a de quem responde.<\/em><\/p>\n<p><strong>[5].<\/strong> Munaf\u00f2 MR, Nosek BA, Bishop DVM, Button KS, Chambers CD, Percie du Sert N, et al. A manifesto for reproducible science. Nat Hum Behav. 2017;1(1):0021. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41562-016-0021\">https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41562-016-0021<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41562-016-0021\">https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41562-016-0021<\/a> <em>Coment\u00e1rio: Manifesto de refer\u00eancia da metaci\u00eancia sobre as amea\u00e7as \u00e0 reprodutibilidade, com \u00eanfase nos vieses cognitivos e nas pr\u00e1ticas question\u00e1veis de pesquisadores humanos. Prop\u00f5e salvaguardas como pr\u00e9-registro, cegamento e transpar\u00eancia. Fundamenta a se\u00e7\u00e3o sobre a falibilidade humana, anterior e independente da IA generativa.<\/em><\/p>\n<h2>Pontos para Recordar<\/h2>\n<ol>\n<li>As declara\u00e7\u00f5es de uso de intelig\u00eancia artificial generativa tornaram-se exig\u00eancia comum de peri\u00f3dicos cient\u00edficos a partir de 2023.<\/li>\n<li>As principais revistas recusam ferramentas de IA como autoras porque a autoria implica responder pelo trabalho, e uma ferramenta n\u00e3o pode faz\u00ea-lo.<\/li>\n<li>Proibi\u00e7\u00f5es amplas de uso de IA tendem a ser inexequ\u00edveis e a estimular o uso n\u00e3o declarado, raz\u00e3o pela qual a transpar\u00eancia tem sido preferida.<\/li>\n<li>Declara\u00e7\u00f5es centradas apenas na ferramenta tendem a deixar impl\u00edcito o agente humano que a orienta, avalia e decide.<\/li>\n<li>A declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana nomeia esse agente e reconhece expressamente seus vieses, lacunas e erros.<\/li>\n<li>Vieses cognitivos e pr\u00e1ticas question\u00e1veis de pesquisa amea\u00e7am a ci\u00eancia independentemente do uso de qualquer ferramenta de IA.<\/li>\n<li>A responsabilidade do autor pelo que publica \u00e9 anterior \u00e0 IA generativa, e nenhuma declara\u00e7\u00e3o autoral dispensa as normas do peri\u00f3dico.<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center; color: #1a4fbf;\"><strong>Declara\u00e7\u00e3o de uso de Intelig\u00eancia Artificial Generativa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center; color: #1a4fbf;\"><em>Este texto foi produzido com o aux\u00edlio de Claude, desenvolvida pela Anthropic, utilizado como ferramenta de apoio nas fases de brainstorming, de estrutura\u00e7\u00e3o do conte\u00fado e de produ\u00e7\u00e3o do texto. As imagens foram produzidas com aux\u00edlio do ChatGPT da OpenAI. A responsabilidade pela vers\u00e3o final e precis\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, pelo pensamento cr\u00edtico, pela sele\u00e7\u00e3o das fontes e pelo conte\u00fado publicado \u00e9 integralmente do autor.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto apresenta a declara\u00e7\u00e3o de uso da intelig\u00eancia humana, proposta que inverte o foco das declara\u00e7\u00f5es de uso de intelig\u00eancia artificial generativa exigidas por peri\u00f3dicos e institui\u00e7\u00f5es. Parte das pol\u00edticas editoriais que vedam a autoria de ferramentas, examina o que a transpar\u00eancia centrada na ferramenta deixa de dizer e reproduz a declara\u00e7\u00e3o na \u00edntegra. Discute, em seguida, a falibilidade da intelig\u00eancia humana e a continuidade da responsabilidade autoral, anterior \u00e0 intelig\u00eancia artificial. O leitor encontrar\u00e1 um argumento para ler a declara\u00e7\u00e3o como complemento, e n\u00e3o como substituto, das exig\u00eancias formais, e um convite a redigir a sua pr\u00f3pria.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[66],"tags":[57,58,49,36],"class_list":["post-8291","post","type-post","status-publish","format-standard","category-escrita-e-publicacao","tag-autoria-cientifica","tag-etica-em-publicacao","tag-integridade-cientifica","tag-inteligencia-artificial-generativa","czr-hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8291"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8291\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8292,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8291\/revisions\/8292"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.usinadepesquisa.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}