Não sei, não se aplica, prefiro não responder: a ética e a metodologia das opções de recusa em escalas Likert   Recently updated !


Autonomia e rigor metodológico na recusa e no desconhecimento em escalas Likert

Aldemar Araujo Castro
Criação: 23/07/2026
Atualização: 23/07/2026
Palavras: 2483
Tempo de leitura: 12 minutos

Resumo. Este texto examina a inclusão de alternativas de não resposta, não sei, não se aplica e prefiro não responder, em escalas Likert utilizadas em pesquisas na área da saúde e em ciências humanas. Discute o fundamento dessa prática nas Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016, distingue os quatro significados normalmente confundidos entre si, propõe critérios de apresentação visual no instrumento, indica quando a inclusão dessas alternativas é especialmente recomendável e detalha as consequências metodológicas do tratamento e da codificação dos dados ausentes, incluindo o cuidado necessário ao adaptar escalas psicométricas já validadas.

 

Introdução

Imagine um questionário de pesquisa em saúde que apresenta a afirmação “sinto que meu tratamento tem sido eficaz” e obriga o respondente a escolher entre discordar totalmente e concordar totalmente, sem qualquer alternativa para quem simplesmente não sabe avaliar o próprio tratamento, para quem a pergunta não se aplica ao seu caso, ou para quem prefere, por razões legítimas, não expor sua situação. Esse cenário é mais comum do que se imagina, e revela um problema que atravessa a bioética e a metodologia científica ao mesmo tempo: o que fazer quando o participante não quer, ou não pode, responder ao que a escala Likert propõe.

A tentação de tratar essa lacuna como um detalhe operacional é grande, mas equivocada. A ausência de alternativas de recusa em instrumentos de coleta pode forçar respostas artificiais, comprometer a validade dos dados e, mais gravemente, ferir a autonomia do participante de pesquisa. Ao mesmo tempo, a solução simplista de acrescentar qualquer opção de não resposta sem critério traz riscos próprios, entre eles o de confundir categorias conceitualmente distintas e distorcer a análise estatística. Este texto examina como conciliar respeito à autonomia e rigor metodológico na construção de escalas Likert, distinguindo com precisão as alternativas de não resposta e indicando como tratá-las desde o desenho do instrumento até a análise final dos dados.

Autonomia e o direito de não responder

A autonomia é um dos pilares da pesquisa com seres humanos, e sua tradução prática vai muito além da assinatura de um termo de consentimento. No Brasil, a Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 466, de 2012, estabelece que o participante deve ter liberdade para recusar-se a participar, para retirar o consentimento em qualquer fase do estudo e para não sofrer qualquer penalização ou prejuízo em decorrência dessa decisão. A Resolução CNS nº 510, de 2016, direcionada em particular às ciências humanas e sociais, reforça esse mesmo direito de recusa, somando-lhe a exigência de ausência de constrangimento, de proteção da privacidade e de manifestação verdadeiramente autônoma, consciente, livre e esclarecida por parte de quem participa.

Esse arcabouço normativo não se limita à desistência integral do estudo. Ele também ampara a recusa parcial, isto é, a decisão de não responder a uma pergunta específica sem que isso implique exclusão do participante da pesquisa como um todo. Permitir que determinados itens do questionário fiquem sem resposta é, portanto, coerente com o próprio espírito da autonomia protegida pela legislação brasileira.

Contudo, seria ingênuo supor que a autonomia se resume à inserção de uma alternativa a mais no instrumento. Ela pressupõe informação adequada sobre o propósito da pergunta, compreensão real do que está sendo solicitado, voluntariedade na decisão de responder ou não, ausência de qualquer forma de coerção, garantia efetiva de privacidade, possibilidade concreta de desistência a qualquer momento e, por fim, a certeza de que a recusa não acarretará nenhuma consequência negativa para o participante. Um formulário eletrônico que impede o avanço sem preenchimento obrigatório de todos os campos, por exemplo, nega na prática o que promete no papel: a liberdade de não responder deixa de existir se o sistema não a permite exercer.

Quatro alternativas, quatro significados

Um erro conceitual frequente consiste em tratar todas as formas de não resposta como equivalentes. Na realidade, ao menos quatro situações distintas precisam ser separadas com clareza. A opção nem concordo nem discordo representa um respondente que possui opinião formada, mas que se posiciona no ponto intermediário da escala, entre a concordância e a discordância. Já a alternativa não sei expressa algo qualitativamente diferente: a ausência de conhecimento ou de elementos suficientes para formular qualquer julgamento sobre o item. A opção não se aplica indica que a pergunta, tal como formulada, não corresponde à experiência vivida pelo respondente. Por fim, prefiro não responder sinaliza que o participante compreendeu perfeitamente a pergunta, possivelmente até tem uma opinião a respeito, mas decidiu, por razões próprias, não a comunicar ao pesquisador.

Um exemplo torna a distinção mais concreta. Diante da afirmação “a inteligência artificial melhora a qualidade da pesquisa científica”, um respondente pode legitimamente não concordar nem discordar porque pondera vantagens e desvantagens de forma equilibrada, sem inclinação clara para nenhum dos polos. Outro pode responder não sei simplesmente porque desconhece o assunto e não se sente apto a opinar. Um terceiro pode escolher não se aplica porque nunca utilizou qualquer ferramenta de inteligência artificial em sua rotina de pesquisa. Um quarto, ainda, pode preferir não responder porque considera o tema controverso e não deseja registrar publicamente sua posição, mesmo tendo uma opinião formada. Cada uma dessas quatro pessoas está, na verdade, comunicando algo diferente ao pesquisador, e tratá-las como um único bloco de dados ausentes é perder informação valiosa sobre a natureza da não resposta. A literatura sobre satisficing em pesquisas de opinião já demonstrava, décadas atrás, que respondentes recorrem a estratégias cognitivas diversas quando o esforço de responder integralmente a uma pergunta parece desproporcional ao benefício percebido, e que essas estratégias produzem respostas de natureza distinta entre si (Krosnick, 1991).

Como apresentar as alternativas no questionário

A forma de apresentação dessas alternativas no instrumento não é um detalhe estético, mas uma decisão que afeta diretamente a interpretação dos dados. A boa prática recomenda manter a escala Likert propriamente dita intacta, por exemplo, discordo totalmente, discordo, nem concordo nem discordo, concordo e concordo totalmente, e acrescentar as opções de não resposta em bloco visualmente separado, com instrução clara de que elas não fazem parte da gradação de concordância. Essa separação impede que o respondente interprete não sei como uma posição intermediária adicional entre discordância e concordância, erro de leitura que compromete tanto a experiência do participante quanto a qualidade psicométrica do instrumento.

A escolha das palavras também importa. A expressão prefiro não responder tende a ser mais acolhedora do que formulações alternativas como não desejo responder, porque comunica uma escolha legítima e neutra, sem transmitir tom de resistência ou de confronto ao pesquisador. Em instrumentos aplicados a populações vulneráveis ou a temas delicados, esse cuidado semântico pode fazer diferença perceptível na disposição do participante em interagir honestamente com o restante do questionário.

Merece atenção especial o caso dos formulários digitais. Não basta declarar, no termo de consentimento ou nas instruções do instrumento, que a resposta a determinado item é facultativa, se a plataforma tecnicamente impede o avanço para a próxima pergunta sem que o campo seja preenchido. Nessas condições, a liberdade formalmente reconhecida é praticamente anulada pelo desenho do sistema, e o pesquisador que negligencia esse detalhe técnico compromete, sem perceber, o próprio consentimento que buscou obter.

Quando essas alternativas são necessárias

Nem todo item de um questionário exige as três alternativas de não resposta. A decisão de incluí-las, e quais delas incluir, depende de uma avaliação criteriosa que considera a sensibilidade da informação solicitada, a probabilidade real de desconhecimento por parte da população estudada, a aplicabilidade da pergunta ao universo de respondentes, os riscos de constrangimento envolvidos, as características específicas do grupo pesquisado e o próprio objetivo científico do instrumento.

A literatura sobre perguntas sensíveis em levantamentos é particularmente instrutiva aqui. Tourangeau e Yan (2007) mostram que temas relacionados a diagnósticos de saúde, sexualidade, renda e situação financeira, orientação religiosa, opinião política, raça e etnia, exposição à violência, uso de substâncias, condutas ilícitas e experiências traumáticas produzem, de forma sistemática, maior desconforto no respondente e maior propensão à distorção ou à omissão da resposta verdadeira. Nesses domínios, a alternativa prefiro não responder deixa de ser um refinamento opcional e passa a ser um componente indispensável de qualquer instrumento eticamente responsável. Yan (2021), em revisão mais recente sobre as consequências de perguntas sensíveis em levantamentos, reforça que a inclusão inadequada desses itens afeta não apenas a taxa de resposta ao item específico, mas também a disposição do participante em continuar respondendo às perguntas seguintes e mesmo em participar de rodadas futuras de coleta, no caso de estudos longitudinais.

Essa avaliação, no entanto, precisa ser feita item por item, e não como decisão genérica aplicada ao questionário inteiro. Um instrumento que trata pergunta sobre escolaridade e pergunta sobre uso de substâncias com o mesmo conjunto padrão de alternativas de recusa ignora que os riscos de constrangimento e de invasão de privacidade variam substancialmente entre os dois casos. O pesquisador em formação faria bem em elaborar, ainda na fase de desenho do protocolo submetido ao comitê de ética, uma justificativa explícita para cada item em que optar por incluir ou excluir as alternativas de não resposta, de modo que essa decisão metodológica não pareça arbitrária a avaliadores externos nem, tampouco, ao próprio participante que preenche o formulário.

As consequências metodológicas do dado ausente

Reconhecer o direito à não resposta tem um preço metodológico: o aumento da quantidade de dados ausentes na base final. Esse aumento, contudo, não deve ser automaticamente interpretado como falha do instrumento ou do delineamento do estudo. Uma resposta omitida voluntariamente, por decisão informada do participante, é geralmente mais honesta do ponto de vista científico do que uma resposta forçada e potencialmente fabricada apenas para satisfazer a exigência de preenchimento completo do formulário. Groves (2006), em sua revisão sobre taxas de não resposta e viés associado em levantamentos domiciliares, demonstra que a relação entre não resposta e viés dos resultados não é linear nem automática, e que a simples contagem de itens ausentes diz pouco sobre o impacto real desses dados faltantes na validade do estudo, exigindo análise específica caso a caso.

Do ponto de vista prático, recomenda-se que a base de dados utilize códigos distintos para cada tipo de não resposta, por exemplo, os valores numéricos de um a cinco para as respostas da escala propriamente dita, e códigos separados como NS para não sei, NA para não se aplica e PNR para prefiro não responder. Essas três categorias jamais deveriam ser codificadas como zero, como ponto neutro da escala, como equivalente a discordância, como valor médio artificial ou como qualquer categoria ordinal adicional inserida entre os cinco pontos originais. Transformar prefiro não responder em um valor numérico igual a três, por exemplo, alteraria artificialmente a média calculada para o item e produziria uma concentração espúria de respostas no centro da distribuição, distorcendo qualquer conclusão que dependa dessa média.

O relatório final da pesquisa também deve refletir essa distinção com transparência. É recomendável apresentar o número e o percentual de cada tipo de não resposta separadamente, os critérios adotados no tratamento estatístico dos dados ausentes, o impacto estimado dessas ausências sobre os resultados apresentados, eventual concentração de recusas em itens específicos do instrumento e, quando aplicável, uma análise de sensibilidade que teste a robustez das conclusões diante de diferentes tratamentos possíveis para os dados faltantes. Um padrão elevado de respostas não sei pode indicar tanto desconhecimento genuíno do tema pesquisado quanto redação excessivamente complexa do item. Uma frequência alta de não se aplica pode apontar para seleção inadequada da população amostral em relação ao conteúdo perguntado. Já uma concentração expressiva de prefiro não responder costuma sinalizar pergunta invasiva, receio de identificação pessoal por parte do respondente, ou garantias insuficientes de confidencialidade transmitidas pelo pesquisador durante a coleta.

Escalas psicométricas validadas e os limites da adaptação

Quando o instrumento em uso é uma escala psicométrica validada na literatura, a cautela precisa ser redobrada antes de qualquer alteração, incluindo o acréscimo de alternativas de não resposta. Escalas validadas carregam consigo instruções originais de aplicação, procedimentos específicos de cálculo de pontuação, protocolos próprios para o tratamento de itens ausentes e um corpo de evidências de validade e de confiabilidade construído justamente sobre a versão original do instrumento. Modificar essa estrutura, ainda que com boa intenção bioética, pode comprometer a comparabilidade dos resultados com estudos anteriores que utilizaram a mesma escala, e pode invalidar parcialmente as próprias evidências psicométricas que justificam o uso do instrumento.

Nessas situações, o procedimento recomendado é consultar cuidadosamente o manual da escala antes de qualquer adaptação, registrar de forma explícita no protocolo de pesquisa submetido ao comitê de ética qualquer modificação introduzida em relação à versão original, e, dependendo da extensão da mudança proposta, considerar a realização de um novo estudo piloto ou mesmo uma reavaliação psicométrica formal do instrumento adaptado. O pesquisador que ignora essa etapa corre o risco de produzir dados que, embora eticamente mais confortáveis para o participante, tornam-se cientificamente incomparáveis com o corpo de literatura que originalmente justificou a escolha da escala.

Vale ainda observar que a decisão de adaptar ou não uma escala validada não deve caber apenas ao pesquisador isoladamente. Comitês de ética em pesquisa, orientadores e, quando existentes, consultores em metodologia quantitativa cumprem papel relevante nessa avaliação, sobretudo em estudos de mestrado e doutorado, nos quais a pressão por cronogramas apertados pode levar à tentação de alterar o instrumento sem a devida documentação. Registrar por escrito a justificativa da adaptação, incluindo a fundamentação bioética que a motivou, protege tanto a integridade científica do estudo quanto o próprio pesquisador, caso a decisão seja questionada posteriormente por avaliadores, revisores de periódico ou pela banca examinadora.

Considerações finais

Oferecer não sei, não se aplica e prefiro não responder como alternativas em uma escala Likert é, em muitos contextos, uma prática eticamente recomendável e metodologicamente defensável, desde que executada com o rigor conceitual que o tema exige. Essas três alternativas reconhecem, cada qual à sua maneira, um direito distinto do participante de pesquisa: o direito de não possuir conhecimento suficiente sobre o que se pergunta, o direito de não estar de fato abrangido pela situação descrita no item, e o direito de decidir autonomamente não fornecer determinada informação, mesmo quando ela existe e é conhecida pelo próprio respondente. Confundir essas três situações entre si, ou confundi-las com o ponto médio da escala, empobrece tanto a experiência ética do participante quanto a qualidade estatística da pesquisa produzida. A finalidade científica de um estudo, por mais relevante que seja, jamais deveria transformar o participante em alguém obrigado a responder aquilo que não sabe, que não vivenciou, ou que legitimamente prefere manter para si.

Ao mesmo tempo, a autonomia reconhecida ao participante não dispensa o pesquisador do rigor metodológico que a ciência exige. As alternativas de não resposta precisam ser separadas visualmente da escala numerada, codificadas de forma distinta na base de dados, jamais convertidas em valores que distorçam médias ou concentrem artificialmente respostas no centro da distribuição, e descritas com transparência completa no relatório final, incluindo sua frequência, sua distribuição entre os itens e seu impacto potencial sobre as conclusões do estudo. Pesquisadores em formação fariam bem em incorporar essa distinção já na fase de desenho do instrumento, antes da coleta de dados, e não como remendo posterior diante de reclamações de participantes ou de questionamentos de comitês de ética. Um questionário que respeita, com precisão conceitual, os diferentes modos de não resposta, comunica ao participante algo que vai além da cortesia processual: comunica que sua autonomia foi, de fato, levada a sério pelo pesquisador que o convidou a colaborar com a ciência.

Fontes

1. RIPPEL, J.A.; MEDEIROS, C.A.; MALUF, F. Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos e Resolução CNS 466/2012: análise comparativa. Revista Bioética. 2016;24(3):603-612.
DOI: https://doi.org/10.1590/1983-80422016243160
Disponível em: https://www.scielo.br/j/bioet/a/rg4X4CZytvcLJLQXjmTzTJK/
Comentário: o artigo compara a Resolução CNS 466/2012 com a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, evidenciando como o princípio da autonomia foi incorporado à norma brasileira de pesquisa com seres humanos. Fundamenta, no presente texto, a ligação entre autonomia normativa e o direito de recusa parcial em instrumentos de coleta.

2. TOURANGEAU, R.; YAN, T. Sensitive questions in surveys. Psychological Bulletin. 2007;133(5):859-883.
DOI: https://doi.org/10.1037/0033-2909.133.5.859
Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17723033/
Comentário: revisão clássica sobre o comportamento de resposta diante de perguntas sensíveis, identificando os domínios temáticos em que a distorção e a omissão de respostas são mais frequentes. Sustenta, neste texto, a lista de temas em que a alternativa prefiro não responder é especialmente recomendável.

3. KROSNICK, J.A. Response strategies for coping with the cognitive demands of attitude measures in surveys. Applied Cognitive Psychology. 1991;5(3):213-236.
DOI: https://doi.org/10.1002/acp.2350050305
Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/acp.2350050305
Comentário: introduz o conceito de satisficing em pesquisas de opinião, explicando por que respondentes recorrem a estratégias cognitivas distintas diante do esforço exigido por um item. Embasa, no texto, a distinção entre as diferentes motivações por trás de cada alternativa de não resposta.

4. GROVES, R.M. Nonresponse rates and nonresponse bias in household surveys. Public Opinion Quarterly. 2006;70(5):646-675.
DOI: https://doi.org/10.1093/poq/nfl033
Disponível em: https://academic.oup.com/poq/article/70/5/646/4084443
Comentário: demonstra que a relação entre taxas de não resposta e viés nos resultados não é automática nem linear, exigindo análise específica em cada estudo. Sustenta, no texto, a recomendação de reportar e analisar o impacto real dos dados ausentes, em vez de apenas contabilizá-los.

5. YAN, T. Consequences of asking sensitive questions in surveys. Annual Review of Statistics and Its Application. 2021;8:109-127.
DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-statistics-040720-033353
Disponível em: https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev-statistics-040720-033353
Comentário: revisão recente que articula o efeito de perguntas sensíveis sobre a não resposta ao item, a não resposta em ondas subsequentes e a qualidade da mensuração. Fundamenta, no texto, a análise item a item da necessidade de alternativas de recusa, em vez de uma regra genérica para todo o instrumento.

Pontos para Recordar

  1. A autonomia do participante de pesquisa, protegida pelas Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016, ampara não apenas a desistência total do estudo, mas também a recusa parcial em responder itens específicos do questionário.
  2. Nem concordo nem discordo, não sei, não se aplica e prefiro não responder são quatro categorias com significados distintos entre si, e nenhuma delas equivale a neutralidade ou a discordância.
  3. As alternativas de não resposta devem aparecer visualmente separadas da escala Likert numerada, para que o respondente não as interprete como posições intermediárias adicionais.
  4. A expressão prefiro não responder costuma ser mais acolhedora do que formulações que soam como recusa ou confronto, e favorece a honestidade do restante do questionário.
  5. A inclusão dessas alternativas é especialmente recomendável em perguntas sobre saúde, sexualidade, renda, religião, opinião política, raça, violência, uso de substâncias e experiências traumáticas.
  6. Os dados de não resposta devem ser codificados com categorias próprias, distintas de zero, de ponto neutro ou de qualquer valor numérico da escala, e seu percentual deve ser reportado com transparência no relatório final.
  7. A adaptação de escalas psicométricas já validadas para incluir alternativas de recusa exige consulta ao manual original, registro formal da mudança e, quando necessário, novo estudo piloto ou reavaliação psicométrica.

Declaração de uso de Inteligência Artificial Generativa. Este texto foi produzido com o auxílio do Claude, desenvolvida pela Anthropic, utilizado como ferramenta de apoio nas fases de brainstorming, de estruturação do conteúdo e de produção do texto. As imagens foram produzidas com auxílio do ChatGPT da OpenAI. A responsabilidade pela versão final e precisão das informações, pelo pensamento crítico, pela seleção das fontes e pelo conteúdo publicado é integralmente do autor.