A continuidade do cuidado na doença crônica: lições da úlcera venosa em diálogo com o karatê   Recently updated !


O cuidado contínuo na úlcera venosa depende de decisão, apoio e ambiente

Aldemar Araujo Castro
Criação: 12/10/2026
Atualização: 12/10/2026
Palavras: 2508
Tempo de leitura: 13 minutos

Faixa sobre a perna
no tatame a faixa nova
nó de cada dia

Resumo. Este texto examina a continuidade do cuidado na doença crônica a partir da experiência de quem vive com uma úlcera venosa. Apresenta a doença e os objetivos do tratamento e organiza a reflexão em torno de três condições que tornam a continuidade possível: a decisão pessoal de encontrar sentido no plano, o apoio respeitoso de familiares e profissionais e um ambiente que remova barreiras concretas. O karatê funciona como analogia para a aprendizagem gradual e acompanhada. Um caso fictício integra as três dimensões, e o texto termina com uma proposta de ação para sete dias.

Infográfico com as três condições da continuidade do cuidado: decisão, apoio e ambiente, com paralelos no dojo

As três condições que sustentam a continuidade do cuidado, com seus paralelos no dojo.

Introdução

Dona Socorro tem 64 anos e há quase dois anos convive com uma ferida logo acima do tornozelo esquerdo. Todas as manhãs, antes de abrir a banca de frutas que mantém num mercado de bairro, ela confere o curativo, calça o sapato mais largo que tem e decide, ainda sentada na beira da cama, se aquele será um dia de dor leve ou de dor que atrapalha. Há semanas em que a ferida parece diminuir. Há outras em que tudo parece voltar ao começo.

Ela já ouviu de mais de um profissional que precisa ter paciência. Já ouviu também, de vizinhos, receitas caseiras que prometem fechar qualquer ferida em poucos dias. Entre a paciência que cansa e a promessa que não se cumpre, Dona Socorro se pergunta, sem dizer em voz alta, se vale a pena continuar fazendo tudo do mesmo jeito.

A pergunta dela é a pergunta central deste texto: como sustentar um tratamento ao longo do tempo quando há desconforto, quando a rotina aperta e quando os resultados demoram a aparecer. A úlcera venosa será o fio condutor, por ser um exemplo concreto e frequente de doença crônica que exige cuidado contínuo. Ao lado dela, uma analogia talvez inesperada: o karatê, cuja aprendizagem também é lenta, acompanhada e dependente de um lugar preparado para a prática. A comparação não pretende transformar o tratamento em luta. Pretende iluminar três condições que tornam a continuidade possível.

A úlcera venosa como exemplo de cuidado contínuo

A úlcera venosa é uma ferida que surge, em geral, na parte inferior da perna, perto do tornozelo, como consequência da doença venosa crônica. Quando as válvulas das veias deixam de funcionar adequadamente, ou quando há obstrução ao retorno do sangue, a pressão dentro das veias da perna permanece elevada. Com o tempo, a pele dessa região muda de cor, endurece e fica frágil, e uma ferida se abre, às vezes depois de um pequeno trauma, às vezes sem causa aparente, com dificuldade para cicatrizar.

Quem convive com ela sabe que a ferida não fica restrita à perna. Uma revisão sistemática de estudos qualitativos identificou que dor, odor e secreção afetam diretamente a qualidade de vida e repercutem no sono, na mobilidade e no humor (Phillips et al., 2018). A ferida ocupa a agenda, interfere no trabalho, condiciona a roupa que se veste e os lugares que se frequenta.

O cuidado tem três objetivos que se complementam: tratar a ferida, abordar a doença venosa que a originou e prevenir que ela volte depois de cicatrizada. A diretriz europeia mais recente sobre doença venosa crônica organiza o tratamento em torno desses eixos, com destaque para a terapia de compressão, os cuidados locais com a ferida e a avaliação do sistema venoso (De Maeseneer et al., 2022). Um ensaio clínico randomizado mostrou que tratar precocemente o refluxo das veias superficiais, em associação à compressão, abreviou o tempo até a cicatrização em comparação com o tratamento adiado (Gohel et al., 2018). Nenhum desses componentes, porém, se aplica da mesma forma a todas as pessoas. A compressão, por exemplo, exige avaliação prévia da circulação arterial, e a escolha de cada medida depende de avaliação profissional individualizada.

É aqui que o karatê ajuda a pensar. Ninguém aprende um kata, a sequência de movimentos que o praticante repete até incorporá-la, apenas lendo sua descrição. Alguém precisa demonstrar, corrigir e acompanhar, e o aluno precisa praticar muitas vezes, em dias bons e em dias ruins. O cuidado de uma doença crônica tem algo dessa natureza: envolve compreender um plano e sustentá-lo no tempo, e não apenas recebê-lo uma vez no consultório.

A decisão pessoal: encontrar sentido no tratamento

Nenhum plano terapêutico se sustenta se não fizer sentido para quem vai executá-lo. Antes de perguntar se a pessoa está seguindo as orientações, vale perguntar o que ela deseja recuperar ou preservar. Para alguns, é caminhar até a igreja sem parar no meio do caminho. Para outros, é voltar a usar sapato fechado, trabalhar o turno inteiro, cuidar dos netos ou simplesmente dormir uma noite sem acordar com dor. Esses objetivos não são detalhes. São eles que dão razão ao esforço cotidiano.

Dona Socorro, por exemplo, nunca disse que queria cicatrizar a úlcera. Disse que queria ficar de pé na banca sem que a perna latejasse no fim da tarde.

Encontrar sentido não elimina as dificuldades, e elas são concretas. A meia ou a bandagem de compressão pode ser quente, difícil de vestir e desconfortável nas primeiras semanas. O curativo exige tempo e alguma habilidade. A dor nem sempre está bem controlada. Há dúvidas que não foram feitas na consulta, por vergonha ou por pressa, e há expectativas que não correspondem ao ritmo real da cicatrização, que costuma ser medido em semanas ou meses. Quando a ferida não melhora no prazo imaginado, aparece a sensação de inutilidade, e com ela a tentação de abandonar o que parecia não funcionar. Os relatos reunidos por Phillips et al. (2018) mostram que o próprio tratamento, e não apenas a ferida, figura entre as fontes de sofrimento descritas pelos pacientes.

No karatê, o praticante não é espectador da própria aprendizagem. Ele escolhe estar no treino, observa o que o corpo consegue fazer naquele dia, percebe o que ainda não entende e pergunta. A progressão das faixas marca etapas, mas não define o valor de ninguém: um faixa branca que treina com atenção não é menos digno do que um faixa preta. A aprendizagem é gradual, feita de pequenas correções acumuladas, e admite recuos.

Essa imagem ajuda a afastar uma armadilha frequente. É comum tratar a adesão ao tratamento como prova de disciplina ou de caráter, como se quem segue o plano fosse virtuoso e quem não segue fosse negligente. Essa leitura é injusta e, além disso, pouco útil. Ela transforma uma dificuldade prática num julgamento moral e afasta a pessoa justamente de quem poderia ajudá-la. O envolvimento ativo de que se fala aqui é outro: é a pessoa participar das decisões, dizer o que é viável na sua rotina, relatar o que incomoda e ajustar o plano com a equipe.

Na prática, a conversa clínica precisa abrir espaço para perguntas simples. O que mais atrapalha no dia a dia? O que você gostaria de voltar a fazer? Qual parte do tratamento parece mais difícil de manter? As respostas não substituem as recomendações técnicas, mas indicam por onde começar a torná-las possíveis. Sentido não é motivação abstrata. É a ligação clara entre o esforço de hoje e algo que importa para a pessoa.

O apoio do grupo: compartilhar o esforço cotidiano

Ninguém deveria atravessar sozinho um tratamento longo. Familiares, amigos, cuidadores e profissionais de saúde podem tornar o cuidado mais leve, desde que o apoio corresponda à necessidade e conte com o consentimento da pessoa.

O apoio assume formas variadas. Pode ser escuta: alguém que pergunta como foi a semana e aguenta ouvir a resposta sem apressar conselhos. Pode ser companhia nas consultas, para ajudar a lembrar as orientações e a formular as dúvidas. Pode ser ajuda prática, como buscar materiais na unidade de saúde, ajudar a vestir a meia de compressão quando as mãos ou a coluna não colaboram, ou cobrir um turno de trabalho no dia do retorno ao ambulatório. Também pode ser algo mais discreto, como lembrar o horário do curativo sem transformar o lembrete em cobrança, ou guardar para si aquilo que foi confiado, sem comentar com outras pessoas.

Do lado dos profissionais, o apoio tem nome conhecido na literatura: continuidade do cuidado. Haggerty et al. (2003) descrevem a continuidade como a experiência, vivida pelo paciente, de um cuidado coerente ao longo do tempo, e distinguem três dimensões. Na continuidade de informação, o que se soube numa consulta não se perde na seguinte. Na continuidade de gestão, os diferentes serviços seguem um plano compatível. Na continuidade relacional, a pessoa encontra profissionais que a conhecem. Para quem tem uma ferida crônica, ser atendido por quem viu a ferida na semana anterior faz diferença concreta na avaliação da evolução e na confiança.

No dojo, o instrutor, chamado sensei, não executa os movimentos pelo aluno. Ele demonstra, observa e corrige. Os colegas mais experientes, os senpai, ajudam os iniciantes, e todos treinam juntos, o que torna o esforço menos solitário. Há uma ética implícita nessa convivência: ajudar sem humilhar, corrigir sem expor, respeitar o ritmo de cada um.

Essa ética vale integralmente para o cuidado. Apoio respeitoso preserva a autonomia e a privacidade. A ferida está no corpo da pessoa, e cabe a ela decidir quem sabe do diagnóstico, quem a acompanha às consultas e que tipo de ajuda aceita. Apoio que se transforma em vigilância, cobrança constante ou comentário público sobre a ferida tende a produzir o efeito contrário: constrangimento, isolamento e afastamento do tratamento. O melhor apoio é aquele que a pessoa reconhece como ajuda.

O ambiente: tornar o tratamento possível

Mesmo com sentido e com apoio, o tratamento pode falhar por razões que estão fora da pessoa. Dificuldades de continuidade costumam ser interpretadas como falta de vontade, quando muitas vezes refletem barreiras concretas de acesso e de organização.

Considere o que o cuidado de uma úlcera venosa exige na rotina. Exige chegar ao serviço de saúde com regularidade, o que depende de transporte, de distância e de dinheiro para a passagem. Exige materiais de curativo e de compressão que nem sempre estão disponíveis na unidade ou que custam caro na farmácia. Exige liberação do trabalho, o que é difícil para quem é autônomo ou tem vínculo informal. Exige orientações que a pessoa consiga compreender e reproduzir em casa, com as condições de higiene, de espaço e de tempo que tem. Quando alguma dessas peças falta, o plano mais bem fundamentado fica no papel.

May et al. (2009) chamaram atenção para esse problema ao propor a ideia de uma medicina minimamente disruptiva. O argumento é que as estratégias desenvolvidas para enfrentar as doenças crônicas transferiram aos pacientes uma carga de tratamento crescente, feita de consultas, exames, medicamentos, registros e mudanças de rotina. Quando essa carga excede a capacidade da pessoa, ela contribui para baixa adesão, desperdício de recursos e piores resultados. A proposta dos autores é ajustar os planos à realidade da vida cotidiana, e não o contrário.

O dojo oferece uma boa imagem disso. Um espaço de treino não funciona apenas pela vontade dos alunos. Precisa de tatame em bom estado, horários compatíveis com a vida de quem treina, instrutor presente, regras claras e segurança. Se o horário muda para um período em que ninguém pode comparecer, a frequência cai, e ninguém diria que os alunos perderam a disciplina de repente. O problema foi de organização.

No cuidado da saúde, organizar as condições é tarefa compartilhada entre a pessoa, a família, a equipe e o serviço. Pode significar agendar o curativo num horário compatível com o trabalho, escolher um tipo de compressão que a pessoa consiga vestir sozinha, quando isso for clinicamente adequado, oferecer orientações por escrito em linguagem simples, verificar se o material prescrito existe na rede pública ou articular a atenção primária com o serviço especializado para evitar deslocamentos desnecessários. Também significa perguntar, sem constrangimento, se a pessoa tem como cumprir o que foi combinado.

Essa mudança de olhar tem uma consequência importante. Quando a continuidade falha, a pergunta deixa de ser por que essa pessoa não colabora e passa a ser o que, no ambiente, impede que o plano aconteça. A segunda pergunta é mais justa e quase sempre mais produtiva, porque aponta para algo que pode ser modificado.

Um caso que reúne decisão, apoio e ambiente

Voltemos a Dona Socorro. Numa consulta de retorno, a enfermeira que a acompanha há alguns meses percebe que a ferida não evoluiu como esperado. Em vez de repetir a recomendação, pergunta como tem sido usar a compressão. A resposta vem depois de alguma hesitação: nos dias de mercado, ela retira a bandagem antes do meio-dia, porque o calor dentro da banca é forte e a perna incomoda. Nos dias de folga, usa normalmente.

A dificuldade agora tem nome, e isso muda a conversa. A equipe reavalia a perna, confirma que a circulação arterial permite manter a compressão e discute com ela alternativas de material e de horário. O curativo passa a ser feito no início da manhã, antes de abrir a banca, e não no fim da tarde, quando ela chegava exausta. A enfermeira anota numa folha simples os sinais que justificam procurar o serviço antes do retorno marcado.

A filha, que antes cobrava o uso da meia por telefone, passa a acompanhá-la numa das consultas e propõe outra forma de ajudar: assumir a banca nas tardes de sábado, o dia de maior movimento, para que a mãe possa descansar com a perna elevada. Um sobrinho se oferece para buscar o material na unidade de saúde quando ela não puder ir.

Nada disso é extraordinário, e é justamente esse o ponto. São ajustes pequenos, construídos a partir de uma dificuldade que a própria pessoa conseguiu dizer. Nas semanas seguintes, o uso da compressão se torna mais regular, a dor no fim do dia diminui e a ferida começa a reduzir de tamanho. A cicatrização ainda não aconteceu, e pode haver recuos. A evolução também depende de outros fatores, como o tratamento da doença venosa subjacente, que segue em avaliação no serviço especializado.

O caso não demonstra que a adesão, sozinha, resolve a úlcera venosa. Demonstra outra coisa: a continuidade do cuidado nasce da combinação entre decisão, apoio e ambiente, e nenhuma das três funciona bem isolada. Dona Socorro não ficou mais disciplinada. Ficou mais bem acompanhada, com um plano que passou a caber na sua vida.

Considerações finais

A úlcera venosa ensina que o cuidado de uma doença crônica não se resume a uma prescrição correta. Ele depende de que a pessoa encontre sentido no tratamento, de que haja quem compartilhe o esforço sem tomar o lugar dela e de que existam condições materiais para executar o que foi combinado. O karatê, com sua aprendizagem lenta, acompanhada e situada num espaço preparado, oferece uma imagem fiel desse processo: ninguém progride sozinho, ninguém progride sem praticar e ninguém progride num dojo de portas fechadas. Para profissionais e serviços de saúde, a lição é igualmente prática: antes de concluir que alguém abandonou o tratamento, convém verificar qual das três condições deixou de existir e o que pode ser feito, em conjunto, para restabelecê-la.

Cada leitor ocupa algum lugar nessa história. Pode ser a pessoa em tratamento, o familiar que convive de perto com a ferida, o colega de trabalho que percebe a dificuldade, o profissional que acompanha o caso ou alguém que simplesmente pode oferecer ajuda. Proponho um compromisso para os próximos sete dias: esclarecer uma dúvida que ficou sem resposta, organizar um cuidado que já foi orientado pela equipe ou oferecer uma ajuda concreta a quem está em tratamento. São gestos pequenos, como as correções que se acumulam no treino. A pergunta que fica é esta: qual passo você pode dar nesta semana para tornar o cuidado possível, para você ou para alguém próximo?

Fontes

1. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, Baekgaard N, Black S, Blomgren L, et al. Editor’s Choice: European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267.
DOI: https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2021.12.024
Disponível em: https://dspace.library.uu.nl/handle/1874/445838
Comentário: Diretriz da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular que organiza o manejo da doença venosa crônica dos membros inferiores, com capítulo próprio para pacientes com úlcera venosa. Fundamenta, no texto, os três objetivos do cuidado e o papel da compressão, dos cuidados locais e da avaliação do sistema venoso. É a referência técnica de base para quem deseja aprofundar as recomendações clínicas.

2. Gohel MS, Heatley F, Liu X, Bradbury A, Bulbulia R, Cullum N, et al. A randomized trial of early endovenous ablation in venous ulceration. N Engl J Med. 2018;378(22):2105-14.
DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa1801214
Disponível em: https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1801214
Comentário: Ensaio clínico randomizado, conhecido como EVRA, que comparou a ablação endovenosa precoce do refluxo superficial com a ablação adiada, ambas associadas à compressão, em pessoas com úlcera venosa. Sustenta a ideia de que tratar a doença venosa subjacente faz parte do cuidado da ferida. No texto, ilustra que o plano envolve mais do que o curativo.

3. Haggerty JL, Reid RJ, Freeman GK, Starfield BH, Adair CE, McKendry R. Continuity of care: a multidisciplinary review. BMJ. 2003;327(7425):1219-21.
DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.327.7425.1219
Disponível em: https://www.bmj.com/lookup/doi/10.1136/bmj.327.7425.1219
Comentário: Revisão multidisciplinar que define a continuidade do cuidado como experiência do paciente ao longo do tempo e a distingue em três dimensões: informação, gestão e relação. Oferece o vocabulário conceitual da seção sobre apoio. Ajuda a perceber que continuidade não é apenas frequência de consultas, mas coerência do cuidado.

4. Phillips P, Lumley E, Duncan R, Aber A, Woods HB, Jones GL, et al. A systematic review of qualitative research into people’s experiences of living with venous leg ulcers. J Adv Nurs. 2018;74(3):550-63.
DOI: https://doi.org/10.1111/jan.13465
Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jan.13465
Comentário: Síntese de estudos qualitativos sobre a experiência de viver com úlcera venosa, organizada em impactos físicos, psicológicos, sociais e relacionados ao tratamento. Mostra que dor, odor e secreção repercutem no sono, na mobilidade e no humor. Sustenta, no texto, a descrição da vida cotidiana com a ferida e das dificuldades do próprio tratamento.

5. May C, Montori VM, Mair FS. We need minimally disruptive medicine. BMJ. 2009;339:b2803.
DOI: https://doi.org/10.1136/bmj.b2803
Disponível em: https://www.bmj.com/content/339/bmj.b2803
Comentário: Artigo que propõe a medicina minimamente disruptiva e chama atenção para a carga de tratamento transferida aos pacientes com doenças crônicas. Argumenta que essa carga, quando excessiva, contribui para baixa adesão e piores resultados. Fundamenta a seção sobre o ambiente e a mudança de pergunta, da culpa individual para as barreiras modificáveis.

Pontos para Recordar

  1. A úlcera venosa é uma ferida crônica da perna causada pela doença venosa e exige cuidado contínuo por semanas ou meses.
  2. O cuidado da úlcera venosa busca tratar a ferida, abordar a doença venosa e prevenir recorrências, segundo avaliação individualizada.
  3. Um tratamento prolongado se sustenta melhor quando está ligado ao que a pessoa deseja recuperar ou preservar na própria vida.
  4. Tratar a adesão como prova de disciplina ou caráter é injusto e afasta a pessoa de quem poderia ajudá-la.
  5. O apoio de familiares e profissionais funciona melhor quando respeita a autonomia, o consentimento e a privacidade da pessoa.
  6. Falhas de continuidade frequentemente refletem barreiras concretas de acesso, materiais, transporte, trabalho e compreensão das orientações.
  7. A continuidade do cuidado nasce da combinação entre decisão pessoal, apoio do grupo e ambiente que torne o plano possível.

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Declaro que a elaboração deste trabalho contou com o uso de inteligência humana desde a ideação, passando pela formulação das perguntas, pela escolha dos argumentos, pela interpretação das informações e pelas decisões sobre o que comunicar.

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