educação em saúde


Koan e haicai: duas escolas de atenção   Recently updated !

Este texto apresenta o koan e o haicai em seus próprios termos, sem dissolvê-los no rótulo genérico de sabedoria oriental. Examina a origem jurídica do termo gōng’àn, as coleções do budismo Chan e o uso do koan no currículo Rinzai, com a classificação descrita por Victor Sōgen Hori. Reconstitui a trajetória do haikai, do verso encadeado ao poema autônomo, e discute estação, corte e a diferença entre mora e sílaba. Distingue afinidades reais de confusões frequentes e mostra, por fim, o que as duas tradições podem ensinar sobre incerteza clínica e escrita reflexiva na formação em saúde.

Infográfico comparando koan e haicai em quatro blocos: origem, forma, prática e uso na saúde

Infográfico com as três condições da continuidade do cuidado: decisão, apoio e ambiente, com paralelos no dojo

A continuidade do cuidado na doença crônica: lições da úlcera venosa em diálogo com o karatê   Recently updated !

Este texto examina a continuidade do cuidado na doença crônica a partir da experiência de quem vive com uma úlcera venosa. Apresenta a doença e os objetivos do tratamento e organiza a reflexão em torno de três condições que tornam a continuidade possível: a decisão pessoal de encontrar sentido no plano, o apoio respeitoso de familiares e profissionais e um ambiente que remova barreiras concretas. O karatê funciona como analogia para a aprendizagem gradual e acompanhada. Um caso fictício integra as três dimensões, e o texto termina com uma proposta de ação para sete dias.


Inovação social: quando a solução nasce da comunidade   Recently updated !

Este texto apresenta a inovação social como criação de novas respostas a necessidades coletivas por meio da reorganização de relações, papéis e serviços. Explica o processo descrito por Geoff Mulgan, mostra como o campo se consolidou na pesquisa acadêmica e distingue inovação social de empreendedorismo social. Examina a Estratégia Saúde da Família e o agente comunitário de saúde como exemplo brasileiro de inovação social em escala, apresenta a agenda internacional de inovação social em saúde e discute como medir o que efetivamente muda.

Infográfico Inovação social em saúde: necessidade, protótipo, ampliação e medida

Ensinar por diferentes lentes: potencialidades e limites do uso de múltiplas metáforas na aprendizagem

Este ensaio teórico examina o uso de múltiplas metáforas no ensino de conceitos complexos. Parte da teoria do mapeamento estrutural para distinguir metáfora, analogia e modelo e mostra por que uma metáfora isolada, ao mesmo tempo que ilumina, induz concepções equivocadas. Discute as razões para combinar metáforas e as condições em que a combinação favorece a aprendizagem ou produz confusão. Propõe uma sequência didática em quatro movimentos, aplica-a ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sugere formas de avaliar compreensão e transferência e examina o papel da inteligência artificial generativa como fonte de metáforas.


Carta aos meus alunos 13/08/2026

Esta carta dirigida aos estudantes parte de uma cena de ambulatório, quando um aluno interrompe o atendimento e se retira alegando fome. O texto recusa a idealização do sacrifício médico e reconhece que corpo cansado erra mais e que organizar o horário de refeição é dever da instituição. Sustenta, porém, que o objeto em discussão é outro, a diferença entre suspender e abandonar um ato assistencial já iniciado. Argumenta que a obrigação não desaparece com a ausência de quem a assumiu, apenas muda de dono, e recai sobre a equipe que fica e sobre o paciente que espera.


Os três mundos do professor: a oficina completa, do papel ao Gemini Notebook

Este texto publica na íntegra o conteúdo da oficina Os Três Mundos do Professor, dedicada ao uso da inteligência artificial na docência universitária. A tese condutora é que vivemos simultaneamente nos mundos analógico, digital e da inteligência artificial, e que a competência decisiva é a transição deliberada entre eles. O leitor encontrará o princípio do controle das fontes como antídoto à alucinação, os três níveis de uso da ferramenta, os casos docentes testados em sala de aula, as regras de compartilhamento e privacidade e o método do contraponto para a leitura crítica de qualquer resposta gerada.


Mini-CEX e OSCE: por que a avaliação clínica precisa de mais de um instrumento

Este texto examina o Mini-CEX e o OSCE, dois instrumentos centrais na avaliação da competência clínica, a partir de suas origens e estruturas distintas. Situa ambos na hierarquia de Miller, mostrando que ocupam níveis diferentes da pirâmide da competência, e detalha suas diferenças quanto a ambiente, tipo de paciente e padronização. Argumenta, com base na avaliação programática, que a escolha entre os dois é um falso problema, pois a validade de um programa de avaliação depende da triangulação de evidências, e não da eleição de um método único. Discute, por fim, os limites e as condições para sua implementação.


Jogar para aprender: o que um RPG sobre úlcera venosa ensina sobre estratégias pedagógicas em saúde

Esta reflexão parte do RPG “C6: Rota da Cicatrização”, criado para ensinar o manejo interprofissional da úlcera venosa de perna, para discutir por que jogos sérios funcionam como estratégia pedagógica em saúde. O texto distingue gamificação de jogo sério, explica a lógica do formato RPG na simulação de decisões interprofissionais sob incerteza, sintetiza revisões sistemáticas recentes sobre a eficácia dessas estratégias, discute riscos de um uso pedagógico descuidado e examina, por fim, o papel ainda em construção da inteligência artificial generativa na criação desses jogos.


Preparar e proteger: as duas faces da formação universitária madura

Este texto discute a falsa oposição entre preparar e proteger na formação universitária e defende que ambas as dimensões são complementares. A partir da teoria da autodeterminação e de evidências sobre saúde mental do estudante, mostra que exigir sem cuidar adoece, enquanto cuidar sem exigir fragiliza. Examina ainda a delegação acrítica à inteligência artificial como caso contemporâneo do problema e propõe o modelo de desafio com suporte como caminho para formar profissionais ao mesmo tempo competentes, prudentes e responsáveis.


A inteligência artificial melhora a entrega e pode enfraquecer o aprendiz

O uso de ferramentas de inteligência artificial na formação acadêmica levanta uma questão central: quando a tecnologia executa as mesmas tarefas que o estudante deveria aprender a realizar, o produto melhora, mas a aprendizagem pode não ocorrer. Este texto examina o conceito de descarga cognitiva prematura, as competências que ficam por desenvolver e as três variáveis que definem se o uso da inteligência artificial é formativo ou substitutivo: o momento, a extensão e a finalidade. Ao final, apresenta modalidades de uso que preservam o esforço cognitivo sem abrir mão da tecnologia.


Do giz ao prompt: o que o professor universitário não pode terceirizar

O texto analisa o dilema do professor universitário diante da inteligência artificial, mostrando que o problema central não é usar ou rejeitar a tecnologia, mas definir o que não pode ser terceirizado. A IA pode apoiar buscas, organizar leituras, sugerir estruturas, revisar linguagem e acelerar materiais didáticos. Porém, torna-se perigosa quando substitui leitura crítica, autoria, julgamento pedagógico e responsabilidade intelectual. O artigo propõe critérios para uso acadêmico responsável, incluindo verificação de fontes, compreensão, crítica, transparência e autoria humana. Defende uma universidade que incorpore a IA com método, sem perder seu compromisso formativo com a formação crítica de professores e estudantes.


O Método Socrático na Formação Médica: Aprendendo a Pensar, Não Apenas a Saber!

Este texto apresenta o método socrático como ferramenta essencial na formação médica. Aborda seus fundamentos filosóficos e sua aplicação prática no desenvolvimento do raciocínio clínico. Explica como a sequência de perguntas estruturadas leva o estudante a construir hipóteses diagnósticas em vez de apenas memorizá-las. Discute vantagens, limitações e a transformação do método com a inteligência artificial em tutores digitais interativos. O objetivo é mostrar que aprender medicina vai além de acumular informação: exige aprender a estruturar o pensamento crítico diante da incerteza.


Quatro atitudes que enfraquecem a imagem acadêmica do doutorando

O texto alerta que, no doutorado, a imagem acadêmica depende não apenas do conteúdo, mas da postura intelectual. Quatro atitudes enfraquecem essa imagem: atribuir o trabalho à IA, sem assumir autoria; afirmar que a amostra é 30, sem justificativa metodológica; interromper avaliadores antes de ouvir integralmente; e administrar mal o tempo da apresentação. Em conjunto, esses comportamentos sugerem fragilidade de autoria, baixa maturidade, deficiência metodológica e pouca capacidade de síntese. A atitude esperada é assumir responsabilidade, justificar decisões, escutar críticas com autocontrole e comunicar o essencial com precisão, dentro do tempo disponível, demonstrando domínio, respeito e segurança em contexto avaliativo.


Sistema simbólico de avaliação com círculo, quadrado e triângulo: uma proposta aplicada à pós-graduação

Este artigo propõe um modelo simbólico de avaliação com três categorias, círculo, quadrado e triângulo, inspirado na lógica decisória do karatê tradicional e aplicado à avaliação integrada de produto e pesquisa na pós-graduação. Parte do diagnóstico de que rubricas extensas e escalas detalhadas aumentam a carga cognitiva, a variabilidade entre avaliadores e o ruído avaliativo. Fundamenta a proposta na teoria da carga cognitiva, na teoria da decisão e na avaliação por competências, e sustenta que a compressão da escala em três níveis bem definidos amplia a consistência, a escalabilidade e a utilidade do retorno ao estudante.


Dois Papas e um Aluno: Como Decidir em Meio a Orientações Divergentes na Pós-Graduação

Este texto trata da situação frequente na pós-graduação em que o estudante recebe orientações divergentes de vários professores. Recorre à imagem histórica da existência simultânea de dois papas para descrever a crise de autoridade que daí resulta, com paralisia, insegurança e queda de desempenho. Propõe uma solução de hierarquia funcional, o reconhecimento do orientador como autoridade central do projeto, responsável pelo acompanhamento, pela validação metodológica e pela aprovação final. Distingue essa direção das normas institucionais, que são obrigatórias e independem de opinião individual, e sustenta que o equilíbrio entre direção e regra preserva a consistência do trabalho.


RPG Educacional C6: Rota da Cicatrização

Este artigo apresenta a versão revisada do RPG educacional C6: Rota da Cicatrização, um jogo de mesa criado para ensinar, de forma prática e interativa, a abordagem clínica e multiprofissional de pacientes com úlcera venosa ativa, classificação clínica CEAP C6. O texto descreve o objetivo pedagógico do jogo, sua ambientação na Atenção Primária, o sistema de teste por dois dados de seis faces, os dez personagens jogáveis, os dez casos clínicos, os eventos imprevistos, as penalidades e os bônus, o fluxo obrigatório de início de missão e uma versão simplificada para públicos sem experiência prévia com RPG.


Comparação do Caminho para Professor Titular – UNCISAL vs. USP (Medicina, 2022-2025)

Este texto compara os caminhos que conduzem ao cargo de professor titular na UNCISAL e na USP, na área de Medicina, no período de 2022 a 2025. Contrapõe dois modelos de ascensão, o progressivo e interno da universidade alagoana, em que a Lei Estadual nº 8.623/2022 exige o título de doutor e o cumprimento de requisitos de progressão, e o concursal e competitivo paulista, em que o Estatuto admite apenas portadores do título de livre-docente, obtido em concurso próprio de provas e títulos, ressalvada a hipótese excepcional de notório saber.


A Sinfonia da Pesquisa: O Orientador como Maestro do Conhecimento

Este texto compara a orientação acadêmica à regência de uma orquestra. O orientador ajusta o tom, o compasso e a intensidade, sem tocar os instrumentos, e cada estudante domina um deles, o método científico, a escrita, a análise crítica, contribuindo com ritmo e sensibilidade próprios para a obra final, o artigo ou a tese. Sustenta que nenhuma orquestra alcança a harmonia sem treino constante e estudo disciplinado de quem executa, por mais competente que seja quem rege, e conclui que a sintonia entre orientação e dedicação transforma o trabalho em arte e ciência.


Orientador e Orientando

Este texto usa três figuras de círculos para descrever os tipos de relação entre orientador e orientando. No primeiro caso, os círculos estão distantes e não há interesses comuns, situação frequente quando a escolha se apoia apenas na disponibilidade ou no prestígio, e que produz comunicação difícil e desmotivação. No segundo, apenas se tocam, com cooperação pontual e objetivos mal alinhados. No terceiro, sobrepõem-se na zona de intersecção ideal. Orienta o estudante a estudar previamente as linhas de pesquisa, o currículo e o estilo de orientação, e a conversar com ex-orientandos.


Formação Universitária por Meio da Pesquisa, da Extensão e do Empreendedorismo: As Ligas Acadêmicas Como Espaços Desta Integração

Este capítulo discute a formação universitária a partir da integração de três pilares. Sustenta que a pesquisa desenvolve o pensamento crítico e a autonomia intelectual, que a extensão aproxima a universidade das comunidades e promove o diálogo entre saber acadêmico e saber popular, e que o empreendedorismo, entendido como produção de patentes e criação de startups, permite converter conhecimento em solução concreta. Apresenta as ligas acadêmicas como espaço privilegiado dessa articulação e reúne referências normativas, exemplos práticos e sugestões de políticas institucionais para o ensino superior brasileiro.