Educação e formação


Koans na sala de aula: narrativas curtas para revisar decisões de pesquisa

Este texto apresenta o uso de pequenas narrativas inspiradas em koans como disparadores de reflexão no ensino de revisão sistemática e metanálise. Explica por que convém não chamá-las de koans tradicionais, o que a literatura sobre prática reflexiva e sobre ensino de saúde baseada em evidências permite sustentar e o que ainda não permite. Descreve uma dinâmica de cinco minutos, com leitura, reflexão individual, discussão em dupla e aplicação a um artigo real, ilustrada pelo koan dos relógios igualmente adiantados. Propõe critérios simples de avaliação e um desenho modesto para verificar se o recurso de fato melhora a aprendizagem.

Infográfico horizontal com quatro etapas de uma atividade de cinco minutos: ler, pensar, conversar e aplicar

Ensinar por diferentes lentes: potencialidades e limites do uso de múltiplas metáforas na aprendizagem

Este ensaio teórico examina o uso de múltiplas metáforas no ensino de conceitos complexos. Parte da teoria do mapeamento estrutural para distinguir metáfora, analogia e modelo e mostra por que uma metáfora isolada, ao mesmo tempo que ilumina, induz concepções equivocadas. Discute as razões para combinar metáforas e as condições em que a combinação favorece a aprendizagem ou produz confusão. Propõe uma sequência didática em quatro movimentos, aplica-a ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, sugere formas de avaliar compreensão e transferência e examina o papel da inteligência artificial generativa como fonte de metáforas.


Carta aos meus alunos 13/08/2026

Esta carta dirigida aos estudantes parte de uma cena de ambulatório, quando um aluno interrompe o atendimento e se retira alegando fome. O texto recusa a idealização do sacrifício médico e reconhece que corpo cansado erra mais e que organizar o horário de refeição é dever da instituição. Sustenta, porém, que o objeto em discussão é outro, a diferença entre suspender e abandonar um ato assistencial já iniciado. Argumenta que a obrigação não desaparece com a ausência de quem a assumiu, apenas muda de dono, e recai sobre a equipe que fica e sobre o paciente que espera.


Os três mundos do professor: a oficina completa, do papel ao Gemini Notebook

Este texto publica na íntegra o conteúdo da oficina Os Três Mundos do Professor, dedicada ao uso da inteligência artificial na docência universitária. A tese condutora é que vivemos simultaneamente nos mundos analógico, digital e da inteligência artificial, e que a competência decisiva é a transição deliberada entre eles. O leitor encontrará o princípio do controle das fontes como antídoto à alucinação, os três níveis de uso da ferramenta, os casos docentes testados em sala de aula, as regras de compartilhamento e privacidade e o método do contraponto para a leitura crítica de qualquer resposta gerada.


Mini-CEX e OSCE: por que a avaliação clínica precisa de mais de um instrumento

Este texto examina o Mini-CEX e o OSCE, dois instrumentos centrais na avaliação da competência clínica, a partir de suas origens e estruturas distintas. Situa ambos na hierarquia de Miller, mostrando que ocupam níveis diferentes da pirâmide da competência, e detalha suas diferenças quanto a ambiente, tipo de paciente e padronização. Argumenta, com base na avaliação programática, que a escolha entre os dois é um falso problema, pois a validade de um programa de avaliação depende da triangulação de evidências, e não da eleição de um método único. Discute, por fim, os limites e as condições para sua implementação.


Jogar para aprender: o que um RPG sobre úlcera venosa ensina sobre estratégias pedagógicas em saúde

Esta reflexão parte do RPG “C6: Rota da Cicatrização”, criado para ensinar o manejo interprofissional da úlcera venosa de perna, para discutir por que jogos sérios funcionam como estratégia pedagógica em saúde. O texto distingue gamificação de jogo sério, explica a lógica do formato RPG na simulação de decisões interprofissionais sob incerteza, sintetiza revisões sistemáticas recentes sobre a eficácia dessas estratégias, discute riscos de um uso pedagógico descuidado e examina, por fim, o papel ainda em construção da inteligência artificial generativa na criação desses jogos.


Preparar e proteger: as duas faces da formação universitária madura

Este texto discute a falsa oposição entre preparar e proteger na formação universitária e defende que ambas as dimensões são complementares. A partir da teoria da autodeterminação e de evidências sobre saúde mental do estudante, mostra que exigir sem cuidar adoece, enquanto cuidar sem exigir fragiliza. Examina ainda a delegação acrítica à inteligência artificial como caso contemporâneo do problema e propõe o modelo de desafio com suporte como caminho para formar profissionais ao mesmo tempo competentes, prudentes e responsáveis.


A inteligência artificial melhora a entrega e pode enfraquecer o aprendiz

O uso de ferramentas de inteligência artificial na formação acadêmica levanta uma questão central: quando a tecnologia executa as mesmas tarefas que o estudante deveria aprender a realizar, o produto melhora, mas a aprendizagem pode não ocorrer. Este texto examina o conceito de descarga cognitiva prematura, as competências que ficam por desenvolver e as três variáveis que definem se o uso da inteligência artificial é formativo ou substitutivo: o momento, a extensão e a finalidade. Ao final, apresenta modalidades de uso que preservam o esforço cognitivo sem abrir mão da tecnologia.


Do giz ao prompt: o que o professor universitário não pode terceirizar

O texto analisa o dilema do professor universitário diante da inteligência artificial, mostrando que o problema central não é usar ou rejeitar a tecnologia, mas definir o que não pode ser terceirizado. A IA pode apoiar buscas, organizar leituras, sugerir estruturas, revisar linguagem e acelerar materiais didáticos. Porém, torna-se perigosa quando substitui leitura crítica, autoria, julgamento pedagógico e responsabilidade intelectual. O artigo propõe critérios para uso acadêmico responsável, incluindo verificação de fontes, compreensão, crítica, transparência e autoria humana. Defende uma universidade que incorpore a IA com método, sem perder seu compromisso formativo com a formação crítica de professores e estudantes.


O Método Socrático na Formação Médica: Aprendendo a Pensar, Não Apenas a Saber!

Este texto apresenta o método socrático como ferramenta essencial na formação médica. Aborda seus fundamentos filosóficos e sua aplicação prática no desenvolvimento do raciocínio clínico. Explica como a sequência de perguntas estruturadas leva o estudante a construir hipóteses diagnósticas em vez de apenas memorizá-las. Discute vantagens, limitações e a transformação do método com a inteligência artificial em tutores digitais interativos. O objetivo é mostrar que aprender medicina vai além de acumular informação: exige aprender a estruturar o pensamento crítico diante da incerteza.


Quatro atitudes que enfraquecem a imagem acadêmica do doutorando

O texto alerta que, no doutorado, a imagem acadêmica depende não apenas do conteúdo, mas da postura intelectual. Quatro atitudes enfraquecem essa imagem: atribuir o trabalho à IA, sem assumir autoria; afirmar que a amostra é 30, sem justificativa metodológica; interromper avaliadores antes de ouvir integralmente; e administrar mal o tempo da apresentação. Em conjunto, esses comportamentos sugerem fragilidade de autoria, baixa maturidade, deficiência metodológica e pouca capacidade de síntese. A atitude esperada é assumir responsabilidade, justificar decisões, escutar críticas com autocontrole e comunicar o essencial com precisão, dentro do tempo disponível, demonstrando domínio, respeito e segurança em contexto avaliativo.


Sistema simbólico de avaliação com círculo, quadrado e triângulo: uma proposta aplicada à pós-graduação

Este artigo propõe um modelo simbólico de avaliação com três categorias, círculo, quadrado e triângulo, inspirado na lógica decisória do karatê tradicional e aplicado à avaliação integrada de produto e pesquisa na pós-graduação. Parte do diagnóstico de que rubricas extensas e escalas detalhadas aumentam a carga cognitiva, a variabilidade entre avaliadores e o ruído avaliativo. Fundamenta a proposta na teoria da carga cognitiva, na teoria da decisão e na avaliação por competências, e sustenta que a compressão da escala em três níveis bem definidos amplia a consistência, a escalabilidade e a utilidade do retorno ao estudante.


Dois Papas e um Aluno: Como Decidir em Meio a Orientações Divergentes na Pós-Graduação

Este texto trata da situação frequente na pós-graduação em que o estudante recebe orientações divergentes de vários professores. Recorre à imagem histórica da existência simultânea de dois papas para descrever a crise de autoridade que daí resulta, com paralisia, insegurança e queda de desempenho. Propõe uma solução de hierarquia funcional, o reconhecimento do orientador como autoridade central do projeto, responsável pelo acompanhamento, pela validação metodológica e pela aprovação final. Distingue essa direção das normas institucionais, que são obrigatórias e independem de opinião individual, e sustenta que o equilíbrio entre direção e regra preserva a consistência do trabalho.


RPG Educacional C6: Rota da Cicatrização

Este artigo apresenta a versão revisada do RPG educacional C6: Rota da Cicatrização, um jogo de mesa criado para ensinar, de forma prática e interativa, a abordagem clínica e multiprofissional de pacientes com úlcera venosa ativa, classificação clínica CEAP C6. O texto descreve o objetivo pedagógico do jogo, sua ambientação na Atenção Primária, o sistema de teste por dois dados de seis faces, os dez personagens jogáveis, os dez casos clínicos, os eventos imprevistos, as penalidades e os bônus, o fluxo obrigatório de início de missão e uma versão simplificada para públicos sem experiência prévia com RPG.


Comparação do Caminho para Professor Titular – UNCISAL vs. USP (Medicina, 2022-2025)

Este texto compara os caminhos que conduzem ao cargo de professor titular na UNCISAL e na USP, na área de Medicina, no período de 2022 a 2025. Contrapõe dois modelos de ascensão, o progressivo e interno da universidade alagoana, em que a Lei Estadual nº 8.623/2022 exige o título de doutor e o cumprimento de requisitos de progressão, e o concursal e competitivo paulista, em que o Estatuto admite apenas portadores do título de livre-docente, obtido em concurso próprio de provas e títulos, ressalvada a hipótese excepcional de notório saber.


A Sinfonia da Pesquisa: O Orientador como Maestro do Conhecimento

Este texto compara a orientação acadêmica à regência de uma orquestra. O orientador ajusta o tom, o compasso e a intensidade, sem tocar os instrumentos, e cada estudante domina um deles, o método científico, a escrita, a análise crítica, contribuindo com ritmo e sensibilidade próprios para a obra final, o artigo ou a tese. Sustenta que nenhuma orquestra alcança a harmonia sem treino constante e estudo disciplinado de quem executa, por mais competente que seja quem rege, e conclui que a sintonia entre orientação e dedicação transforma o trabalho em arte e ciência.


Orientador e Orientando

Este texto usa três figuras de círculos para descrever os tipos de relação entre orientador e orientando. No primeiro caso, os círculos estão distantes e não há interesses comuns, situação frequente quando a escolha se apoia apenas na disponibilidade ou no prestígio, e que produz comunicação difícil e desmotivação. No segundo, apenas se tocam, com cooperação pontual e objetivos mal alinhados. No terceiro, sobrepõem-se na zona de intersecção ideal. Orienta o estudante a estudar previamente as linhas de pesquisa, o currículo e o estilo de orientação, e a conversar com ex-orientandos.


Formação Universitária por Meio da Pesquisa, da Extensão e do Empreendedorismo: As Ligas Acadêmicas Como Espaços Desta Integração

Este capítulo discute a formação universitária a partir da integração de três pilares. Sustenta que a pesquisa desenvolve o pensamento crítico e a autonomia intelectual, que a extensão aproxima a universidade das comunidades e promove o diálogo entre saber acadêmico e saber popular, e que o empreendedorismo, entendido como produção de patentes e criação de startups, permite converter conhecimento em solução concreta. Apresenta as ligas acadêmicas como espaço privilegiado dessa articulação e reúne referências normativas, exemplos práticos e sugestões de políticas institucionais para o ensino superior brasileiro.


O compromisso do estudante de Medicina na era das IAs

Este relato parte de uma aula de pesquisa em ciências da saúde em que os estudantes, dispersos, concluíam com auxílio de inteligência artificial um trabalho de bioquímica sobre a via de síntese dos ácidos graxos. Diante da uniformidade das respostas, o professor interrompe a exposição e pergunta qual a importância do tema na formação do médico generalista, sem obter resposta. Ao dirigir a mesma pergunta a um assistente automatizado, obtém a conexão com metabolismo energético, obesidade, diabetes e prevenção cardiovascular, o que reacende o interesse da turma.


Iniciação científica

Esta postagem reúne o material de apoio à iniciação científica na UNCISAL e lembra que sua finalidade é despertar a vocação científica e estimular talentos entre estudantes de graduação, mediante participação em projeto conduzido por pesquisador qualificado. Apresenta o sumário do manual, com capítulos sobre o que é e por que fazer iniciação científica, sua organização na instituição, os recursos, conhecimentos e habilidades exigidos, a escolha do orientador e o prosseguimento da trajetória. Acrescenta recursos complementares e insiste que a iniciação é trabalho de uma dupla, o aluno e o orientador.