Koan e haicai, duas tradições do Leste Asiático que educam a pergunta e o olhar
Aldemar Araujo Castro
Criação: 28/10/2026
Atualização: 28/10/2026
Palavras: 2408
Tempo de leitura: 12 minutos
Chuva no telhado
a xícara esfria intacta
o mestre se cala
Resumo. Este texto apresenta o koan e o haicai em seus próprios termos, sem dissolvê-los no rótulo genérico de sabedoria oriental. Examina a origem jurídica do termo gōng’àn, as coleções do budismo Chan e o uso do koan no currículo Rinzai, com a classificação descrita por Victor Sōgen Hori. Reconstitui a trajetória do haikai, do verso encadeado ao poema autônomo, e discute estação, corte e a diferença entre mora e sílaba. Distingue afinidades reais de confusões frequentes e mostra, por fim, o que as duas tradições podem ensinar sobre incerteza clínica e escrita reflexiva na formação em saúde.

Koan e haicai comparados em origem, forma, prática e uso na formação em saúde.
Introdução
Todo estudante de medicina conhece o desconforto do caso que não fecha. Os exames não confirmam a hipótese, o paciente descreve algo que nenhum capítulo do livro descreveu e o preceptor, em vez de oferecer a resposta, devolve uma pergunta. A tentação, nesses momentos, é preencher o vazio com a primeira explicação disponível, porque o silêncio diante do problema soa como incompetência.
Há tradições inteiras construídas em torno desse desconforto. O koan, nascido no budismo Chan da China e cultivado no Zen japonês, faz da pergunta resistente um instrumento de formação. O haicai, desenvolvido na poesia japonesa, faz da contenção verbal uma disciplina do olhar. Os dois são frequentemente reunidos sob a etiqueta vaga de “sabedoria oriental”, como se fossem variações de uma mesma coisa, e essa confusão empobrece ambos.
Este texto apresenta cada tradição em seus próprios termos: origem, forma, uso e classificações. Só depois, e com a cautela necessária, examina o que elas podem ensinar a quem trabalha com incerteza clínica e com escrita científica.
Um caso público: a origem jurídica do koan
A palavra japonesa kōan transcreve o chinês gōng’àn, expressão que se pode traduzir, de modo aproximado, como caso público. O termo vem do vocabulário administrativo e judicial: designava os autos, os registros de uma repartição ou de um tribunal que serviam de referência para decisões posteriores. Segundo explicação atribuída ao mestre Zhongfeng Mingben, do período Yuan, os koans funcionariam como esses autos, casos exemplares tornados públicos, contra os quais se aferia a compreensão de quem praticava. Um leitor com formação jurídica reconhecerá a analogia com o precedente, o caso julgado que orienta o julgamento dos casos seguintes.
As raízes estão no budismo Chan, a escola chinesa da qual derivam o Zen japonês, o Seon coreano e a tradição correspondente no Vietnã. Ao longo dos séculos, diálogos, gestos e episódios atribuídos a antigos mestres foram registrados, comentados e reunidos em coleções. Esse trabalho de compilação ganhou força durante a dinastia Song, entre os séculos X e XIII, quando surgiram as duas antologias mais conhecidas. O Registro do Penhasco Azul reúne cem casos escolhidos e versificados por Xuedou Chongxian, aos quais Yuanwu Keqin acrescentou comentários no início do século XII. A Barreira sem Porta foi organizada por Wumen Huikai em 1228.
Welter (2000) mostra que a própria ideia de uma transmissão silenciosa, à margem das escrituras, foi construída historicamente por meio desses textos. O episódio em que o Buda ergue uma flor diante da assembleia e apenas o discípulo Mahākāśyapa sorri, tomado como origem simbólica da linhagem, aparece em sua versão mais difundida justamente numa coleção de koans, a Barreira sem Porta. Há aqui um paradoxo instrutivo: uma tradição que se apresenta como independente das palavras preservou-se, em grande parte, por meio de uma literatura extensa, cuidadosa e muito comentada.
Um koan pode ter a forma de pergunta, de diálogo, de afirmação desconcertante ou de relato de uma ação. O que os une não é o formato, mas a função: resistir à compreensão habitual.
Perguntar sem pressa de responder
O exemplo mais citado no Ocidente é a pergunta associada ao mestre japonês Hakuin Ekaku, do século XVIII: duas mãos que batem produzem som; qual é o som de uma só mão? Fora do contexto, a frase circula como enigma espirituoso, quase uma charada. Dentro do treinamento, ela é outra coisa. O praticante a recebe de um mestre, carrega-a durante a meditação e durante o dia, e retorna periodicamente a encontros individuais nos quais deve apresentar sua compreensão. Uma resposta engenhosa, por si só, não basta, e uma resposta copiada de um livro é reconhecida como tal.
Hori (2000), que conheceu o sistema por dentro, tendo treinado durante anos em mosteiro Rinzai no Japão antes de se dedicar à vida acadêmica, critica o modelo mais difundido de explicação do koan. Nesse modelo, o koan seria um artifício psicológico desenhado para esgotar o raciocínio e provocar, por ruptura, uma experiência de iluminação. Hori considera essa leitura insuficiente. Para ele, o koan não suprime o pensamento conceitual: exige uma compreensão em que sujeito e objeto deixam de estar separados, e essa compreensão precisa ser demonstrada, não apenas descrita. Por isso o treinamento inclui, além da resposta ao mestre, a busca de frases de confirmação, extraídas de antologias de poesia chinesa e de ditos tradicionais, que o praticante apresenta para atestar o que compreendeu.
É nessa perspectiva que se deve ler a classificação dos koans. Na exposição de Hori (2000), o currículo Rinzai herdado da linhagem de Hakuin organiza os casos em grupos com finalidades distintas. Os koans hosshin, do corpo do Darma, conduzem ao primeiro despertar. Os koans kikan, de ação dinâmica, retiram o praticante da quietude dessa primeira experiência e o devolvem ao mundo diferenciado da atividade, passagem que Hori considera mais difícil do que o próprio despertar inicial. Os koans gonsen tratam do problema de exprimir em palavras aquilo que não se funda em palavras. Os nantō, casos de passagem particularmente difícil, desfazem o apego à realização já obtida e renovam a dúvida. A etapa final varia conforme a linhagem: em algumas, consiste no estudo das Cinco Posições de Tōzan e dos preceitos; em outras, recebe o nome de kōjō e volta-se a dissolver o apego à própria experiência espiritual.
Duas cautelas acompanham esse esquema. A primeira é que ele descreve a organização pedagógica de uma escola, não uma classificação universal: o treinamento sistemático com koans é marca da escola Rinzai, enquanto a escola Sōtō os emprega de outro modo e com outra ênfase. A segunda é que a ordem e o número de grupos variam entre linhagens, e as descrições de divulgação frequentemente os embaralham. Quem encontrar listas divergentes não deve concluir que uma delas está errada sem antes verificar de qual linhagem cada uma procede.
O que interessa ao leitor de fora da tradição é a postura que o sistema cultiva: a pergunta é mantida aberta por tempo suficiente para transformar quem pergunta. A dúvida, nesse quadro, não é falha a eliminar, mas matéria de trabalho.
Do verso encadeado ao poema de três versos
O haicai tem história muito diferente, e a primeira dificuldade é terminológica. No Japão dos séculos XVI e XVII, haikai designava sobretudo o haikai no renga, poesia de versos encadeados composta em grupo, na qual cada participante acrescentava uma estrofe à anterior. Diferentemente do renga clássico, de tom cortesão, o haikai acolhia humor, linguagem cotidiana, paródia e temas considerados pouco nobres. Era, em boa medida, uma prática social, feita de reuniões, mestres e discípulos, regras compartilhadas e disputa amistosa.
A estrofe inicial dessas sequências chamava-se hokku. Por abrir a composição, ela precisava situar a cena, indicar a estação e ter certa autonomia. Matsuo Bashō, no século XVII, deu a essa prática uma profundidade artística que mudou seu estatuto, aproximando o haikai da reflexão sobre a impermanência, da viagem e da observação atenta. Seus diários de viagem alternam prosa e poemas, forma que viria a ser chamada haibun. O estudioso Haruo Shirane, em Traces of Dreams (1998), mostra como o haikai de Bashō retomava e transformava as associações da poesia clássica ligadas a paisagens, objetos históricos e lugares célebres, em vez de simplesmente registrar a natureza de modo espontâneo.
No fim do século XIX, Masaoka Shiki propôs tratar o hokku como poema independente e consolidou para ele o nome haiku. Yosa Buson e Kobayashi Issa, ativos no século XVIII e no início do XIX, completam o grupo de nomes que costumam ser lembrados como clássicos.
No Brasil, a forma chegou por via literária e pela imigração japonesa, iniciada em 1908. A grafia aportuguesada haicai convive com haikai, e ambas designam, entre nós, o poema breve individual. A adaptação gerou soluções próprias: Guilherme de Almeida, por exemplo, propôs um modelo com título e rimas internas, enquanto poetas como Paulo Leminski exploraram a forma com liberdade maior e com humor. Essa diversidade não é desvio. Toda tradição poética que atravessa línguas precisa ser reinventada na língua de chegada.
Estação, corte e o problema da contagem
Na tradição japonesa, três elementos costumam ser destacados. O primeiro é o ritmo de cinco, sete e cinco unidades sonoras, chamadas on e descritas pelos linguistas como moras. A mora não equivale à sílaba portuguesa: uma vogal longa ou uma consoante nasal em final de sílaba contam como unidades próprias, de modo que dezessete on japoneses comportam menos material verbal do que dezessete sílabas em português. O segundo é o kigo, palavra ou expressão que remete a uma estação do ano e convoca, com ela, um repertório de associações culturais. O terceiro é o kire, o corte que separa e relaciona duas partes do poema, marcado em japonês por partículas chamadas kireji.
Daí decorre uma consequência prática que muitos iniciantes ignoram: escrever três versos com cinco, sete e cinco sílabas não produz, por si só, um haicai. A métrica é condição de forma, não de qualidade. O que distingue o poema é a imagem concreta, a justaposição que o corte produz e a recusa de explicar o que a imagem já sugere. As adaptações para outras línguas variam bastante na maneira de tratar essas convenções, e há quem abandone a contagem para preservar a concisão.
O poema mais célebre de Bashō, sobre o velho tanque, pode ser apresentado nesta tradução livre:
Velho tanque.
Uma rã salta.
Som da água.
A cena reúne quietude, movimento e som com pouquíssimas palavras. O tanque antigo e silencioso, o salto breve, o ruído que logo se apaga: o poema não diz o que isso significa. Uma leitura possível vê ali a interrupção que torna o silêncio perceptível; outras são igualmente legítimas. O poema permanece aberto à experiência de quem lê, e essa abertura é parte de sua construção.
Também convém distinguir o haicai das formas vizinhas, que não são simples subtipos dele. O senryū, que leva o nome do poeta Karai Senryū, usa a mesma estrutura breve para tratar da condição humana, frequentemente com ironia, e dispensa a referência sazonal. O renku é o nome moderno da poesia encadeada. O haibun combina prosa e poema, e o haiga reúne pintura, caligrafia e verso. As fronteiras entre haicai e senryū são discutidas, sobretudo na produção contemporânea.
Afinidades sem confusão
Por que, então, koan e haicai aparecem tão frequentemente juntos? Há afinidades reais. Bashō teve contato com a prática Zen, e certas sensibilidades cultivadas nos mosteiros, como a atenção ao instante e a economia de expressão, encontram-se também em muitos de seus poemas. A divulgação ocidental do século XX reforçou essa aproximação, a ponto de apresentar o haicai como uma espécie de fotografia da iluminação.
A aproximação, porém, tem limites. Grande parte da tradição do haikai é social, cômica, paródica e mundana, e nada tem de ensinamento religioso. Tratar todo haicai como experiência Zen apaga essa história e projeta sobre ela uma expectativa que não lhe pertence. O mesmo vale para a expressão cultura oriental, que reúne sob um só nome sociedades, línguas e religiões muito diferentes. O koan pertence às tradições budistas Chan e Zen, que atravessaram China, Japão, Coreia e Vietnã; o haicai é uma forma da literatura japonesa que se espalhou pelo mundo.
Uma comparação didática é possível, desde que tomada apenas como comparação: o koan põe em questão nossos hábitos de compreensão, enquanto o haicai concentra nossa atenção em uma experiência.
Dois exercícios para o olhar clínico e científico
É essa comparação, e não uma suposta identidade, que interessa a quem estuda e trabalha em saúde. A medicina convive com a incerteza em todas as etapas, do diagnóstico à decisão terapêutica. Tonelli e Upshur (2019) propõem que essa incerteza seja abordada na formação médica com o auxílio da filosofia, distinguindo a incerteza epistêmica, que diz respeito ao que se sabe, a metafísica, ligada à natureza daquilo que se estuda, e a moral, que envolve o que se deve fazer. Os autores separam ainda incerteza de ambiguidade: na primeira, falta conhecimento suficiente para decidir com segurança; na segunda, várias condutas parecem igualmente razoáveis.
O koan não ensina medicina, e seria leviano tratá-lo como técnica de raciocínio clínico. O que ele oferece é um modelo de relação com a pergunta difícil: sustentá-la sem fechá-la prematuramente, voltar a ela, aceitar que a resposta verdadeira se demonstra na conduta e não na eloquência. O estudante que aprende a dizer “ainda não sei, e preciso examinar de novo” está mais próximo dessa postura do que aquele que preenche o silêncio com o diagnóstico mais fácil. Na pesquisa, a mesma disposição protege contra a conclusão apressada e contra a tentação de forçar os dados a confirmar a hipótese.
O haicai, por sua vez, já entrou na educação em saúde como exercício de escrita. Biley e Champney-Smith (2003) relatam oficinas de haicai conduzidas ao longo de vários anos, nas quais a forma breve serviu como parte do processo de reflexão sobre a prática clínica, como meio de explorar questões emocionais e práticas do cuidado, como treino de precisão na escrita e até como instrumento de avaliação. A restrição formal obriga a escolher: o que, de toda a experiência daquele plantão, merece as poucas palavras disponíveis?
McLean et al. (2022) chegam a conclusão próxima por outro caminho. Em vez de pedir aos estudantes de medicina uma redação reflexiva aberta, tarefa que muitos consideram difícil, propuseram exercícios estruturados de escrita em forma de verso, abordagem indireta que os autores chamaram de reflexão em verso. A análise dos textos identificou temas como os desafios da vida de estudante, as exigências emocionais do curso, a solidariedade entre colegas e a sensação de marginalidade dentro do hospital. Os estudantes, em geral, consideraram as tarefas envolventes e propícias à reflexão.
Há um paralelo útil com a própria escrita científica. O resumo de um artigo, com seu limite de palavras, impõe uma disciplina semelhante à do haicai: dizer o essencial, cortar o ornamento, deixar que o dado concreto fale. A diferença é que o resumo deve explicar, enquanto o poema deve sugerir.
Considerações finais
Koan e haicai têm origens, finalidades e histórias distintas. O primeiro nasceu como caso exemplar na tradição Chan, foi compilado em antologias comentadas e organizado, no Japão, em currículos de formação espiritual. O segundo nasceu como estrofe de abertura de uma poesia coletiva e bem-humorada, ganhou com Bashō profundidade artística e com Shiki autonomia, e espalhou-se pelo mundo, inclusive pelo Brasil. Reuni-los sob um rótulo genérico apaga o que cada um tem de próprio.
O que podem oferecer em comum, a quem pesquisa e cuida, é uma disciplina de atenção que nenhuma tecnologia dispensa. O koan ensina a permanecer diante da pergunta sem a pressa de encerrá-la; o haicai ensina a olhar o concreto e a dizer pouco, com exatidão. Nenhum deles substitui o método científico ou o raciocínio clínico, mas ambos lembram que método e raciocínio começam antes, na qualidade da pergunta e na honestidade do olhar. Talvez valha experimentar, na próxima vez que um caso não fechar, escrever três versos sobre ele antes de escrever a hipótese.
Fontes
[1]. Welter A. Mahākāśyapa’s smile: silent transmission and the kung-an (kōan) tradition. In: Heine S, Wright DS, editors. The kōan: texts and contexts in Zen Buddhism. New York: Oxford University Press; 2000. p. 75-109.
DOI: https://doi.org/10.1093/oso/9780195117486.003.0004
Disponível em: https://academic.oup.com/book/50253/chapter/422745505
Comentário: o capítulo examina como a narrativa da transmissão silenciosa, simbolizada pelo sorriso de Mahākāśyapa, foi construída e consolidada na literatura de koans. Sustenta, no texto, a seção sobre a origem do koan e o paradoxo de uma tradição que se diz alheia às palavras e se preservou por meio delas. O volume organizado por Heine e Wright é referência acadêmica central sobre o tema.
[2]. Hori GVS. Kōan and kenshō in the Rinzai Zen curriculum. In: Heine S, Wright DS, editors. The kōan: texts and contexts in Zen Buddhism. New York: Oxford University Press; 2000. p. 280-315.
DOI: https://doi.org/10.1093/oso/9780195117486.003.0012
Disponível em: https://academic.oup.com/book/50253/chapter/422745545
Comentário: escrito por quem treinou como monge Rinzai antes de seguir carreira acadêmica, o capítulo critica a leitura do koan como mero artifício para bloquear o raciocínio. Descreve o currículo Rinzai e a função de cada grupo de koans, base da classificação apresentada no texto. É a fonte mais segura para corrigir as versões simplificadas que circulam na divulgação.
[3]. Biley FC, Champney-Smith J. “Attempting to say something without saying it…”: writing haiku in health care education. Med Humanit. 2003;29(1):39-42.
DOI: https://doi.org/10.1136/mh.29.1.39
Disponível em: https://mh.bmj.com/content/29/1/39
Comentário: relato de oficinas de escrita de haicai na educação em saúde, com exemplos produzidos pelos participantes. Os autores apresentam a forma breve como recurso de reflexão sobre a prática, de exploração de questões emocionais do cuidado, de treino de precisão e de avaliação. Fundamenta a passagem sobre o uso do haicai na formação de profissionais de saúde.
[4]. McLean D, Chiavaroli N, Denniston C, Richardson M. In-verse reflection: structured creative writing exercises to promote reflective learning in medical students. J Med Humanit. 2022;43(3):493-504.
DOI: https://doi.org/10.1007/s10912-022-09740-7
Disponível em: https://doi.org/10.1007/s10912-022-09740-7
Comentário: o estudo propõe exercícios estruturados de escrita em verso como via indireta para a reflexão de estudantes de medicina e analisa tematicamente os textos produzidos. Mostra que a restrição formal pode facilitar, e não dificultar, a expressão de experiências clínicas e pessoais. Publicado em acesso aberto, complementa o relato de Biley e Champney-Smith com dados mais recentes.
[5]. Tonelli MR, Upshur REG. A philosophical approach to addressing uncertainty in medical education. Acad Med. 2019;94(4):507-511.
DOI: https://doi.org/10.1097/ACM.0000000000002512
Disponível em: https://doi.org/10.1097/ACM.0000000000002512
Comentário: os autores defendem que a incerteza clínica seja ensinada de modo explícito na formação médica, com apoio da filosofia da medicina. Distinguem incerteza epistêmica, metafísica e moral, além de separar incerteza de ambiguidade. Oferece o enquadramento para a aproximação, feita com cautela no texto, entre a postura cultivada pelo koan e a convivência com a dúvida clínica.
Pontos para Recordar
- O termo koan vem do chinês gōng’àn, caso público, expressão de origem administrativa e judicial que designava registros usados como referência.
- As coleções clássicas de koans, como o Registro do Penhasco Azul e a Barreira sem Porta, foram compiladas na China durante a dinastia Song.
- No currículo Rinzai descrito por Hori, os koans se organizam em grupos com finalidades distintas, e a ordem e a etapa final variam entre linhagens.
- Haikai designava originalmente a poesia de versos encadeados, composta em grupo; o haiku como poema autônomo foi consolidado por Masaoka Shiki no fim do século XIX.
- O ritmo japonês de cinco, sete e cinco conta moras, e não sílabas, de modo que a métrica sozinha não faz um haicai.
- Koan e haicai têm afinidades, mas nem todo haicai é ensinamento budista, e a expressão cultura oriental apaga diferenças importantes.
- Na formação em saúde, o koan oferece um modelo de convivência com a incerteza, e o haicai já foi usado como instrumento de escrita reflexiva.
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