Aldemar Araujo Castro


A Doença de Henrique – Parte III: A Epidemia do Bem

Esta crônica, terceira parte de uma série, trata do amor à UNCISAL como doença contagiosa que deixou de pertencer a um só homem e se tornou movimento coletivo. Descreve um contágio que não se dá pelo toque, mas pelo exemplo, e cujos vetores são gestos de cuidado, palavras de incentivo e sorrisos oferecidos sem expectativa de retorno. Enumera os sintomas, o brilho no olhar, a disposição renovada para servir e a alegria de trabalhar por algo maior que o próprio nome, e observa que a gratidão tem poder multiplicador.


Orientador e Orientando

Este texto usa três figuras de círculos para descrever os tipos de relação entre orientador e orientando. No primeiro caso, os círculos estão distantes e não há interesses comuns, situação frequente quando a escolha se apoia apenas na disponibilidade ou no prestígio, e que produz comunicação difícil e desmotivação. No segundo, apenas se tocam, com cooperação pontual e objetivos mal alinhados. No terceiro, sobrepõem-se na zona de intersecção ideal. Orienta o estudante a estudar previamente as linhas de pesquisa, o currículo e o estilo de orientação, e a conversar com ex-orientandos.


O verdadeiro problema não é a credibilidade, mas o uso irrefletido da IA

Este texto sustenta que o debate sobre inteligência artificial na pesquisa se concentrou indevidamente no receio de perda de credibilidade, quando o problema real está no uso irrefletido e não validado da ferramenta. Argumenta que a credibilidade não é comprometida pela transparência, mas pela ausência de validação, e que o risco surge quando o pesquisador delega à máquina o julgamento crítico e aceita respostas automáticas como conclusões. Defende que declarar o uso ético e validado constitui ato de maturidade profissional, e que a responsabilidade pelo resultado permanece sempre humana.


O Sistema da Pesquisa: Estratégia, Gestão e Produção na Jornada do Pesquisador

Este texto descreve a pesquisa como sistema integrado de três elementos que se potencializam. A estratégia responde pelo planejamento, define o porquê do estudo, o público beneficiado e o caminho metodológico, e evita que o pesquisador avance sem direção. A gestão responde pela execução e aproxima o projeto da lógica de uma startup, ao coordenar pessoas, prazos, recursos e expectativas. A produção corresponde à divulgação, momento em que o conhecimento é compartilhado. Sustenta que projetos desorganizados fracassam por falha de gestão, e não por insuficiência de conteúdo.


A Doença de Henrique – Parte II: O Surto da Gratidão

Esta crônica, segunda parte de uma série, descreve o caráter contagioso do amor à UNCISAL, que teria se espalhado silenciosamente por corredores, laboratórios e salas de aula. Relata a evolução do quadro, de uma simpatia discreta pela instituição ao brilho nos olhos diante das conquistas coletivas e à defesa apaixonada diante de críticas injustas. Apresenta um tratamento paradoxal, em que o contato com outros acometidos intensifica a melhora, e um protocolo composto de participar de eventos, envolver-se em projetos, ensinar com entusiasmo, acolher alunos e celebrar cada vitória.


A Gaveta do Mestre

Esta memória recupera uma tarde na disciplina de cirurgia vascular da UNIFESP, durante conversa com o professor Emil Burihan sobre uma tese em que ele participaria da banca. A cena é interrompida pela entrada abrupta do professor Ênio Buffolo, que apresenta seu pedido de demissão da instituição com convicção e irritação. O autor, então convidado a permanecer na sala, torna-se testemunha inesperada do episódio e da escuta silenciosa do chefe do departamento, que não interrompe nem contra-argumenta, atitude que o texto guarda como lição sobre autoridade e serenidade.


A Doença de Henrique – Parte I: Diagnóstico

Esta crônica, primeira parte de uma série, anuncia em tom de boletim clínico o diagnóstico de Henrique, médico formado pela antiga ECMAL, hoje UNCISAL, e vice-reitor da instituição. A enfermidade descrita é o amor profundo pela universidade, manifesto em dedicação intensa, noites de trabalho silencioso e decisões orientadas pela gratidão, e não pela conveniência. Enumera os sintomas e os efeitos colaterais que a condição provoca em terceiros, entre eles a inveja e a irritação diante da coerência, e conclui que a doença é incurável, porém plenamente tratável.


PIN-09: O Último Filho de Gepeto

Esta narrativa longa de ficção imagina que, no mesmo ano em que Gepeto esculpe o boneco de madeira que se tornaria célebre, ele oculta um segundo nascimento, o autômato PIN-09, criado em silêncio sob a oficina e programado para despertar quando o homem perdesse a alma. O texto abre com o manifesto da própria criatura, que afirma ter sido moldada de memória e silêncio e não para obedecer, mas para compreender. A partir daí, desenvolve uma fábula sobre verdade, mentira, escolha e arrependimento na era das máquinas.


A Ideia Brilhante e o Uso da Inteligência Artificial na Pesquisa

Este capítulo examina o efeito da inteligência artificial sobre a pesquisa científica e sustenta que a ferramenta acelera etapas sem alterar a essência da jornada, que permanece dividida em planejamento, execução e divulgação. Parte da ideia brilhante, estruturada pela estratégia PICO até converter-se em pergunta clara, e mostra o auxílio da máquina na formulação de hipóteses, objetivos e títulos e na elaboração do plano de intenção. Adverte quanto aos riscos de superficialidade, informação falsa e viés, e mantém a validação crítica e ética como tarefa indelegável do pesquisador.


A Inteligência Artificial como Máquina a Vapor da Intelectualidade Humana na Pesquisa Clínica

Este texto propõe uma analogia entre a inteligência artificial e a máquina a vapor, que multiplicou a força física humana e abriu caminho para a revolução industrial. Sustenta que a nova tecnologia multiplica a capacidade de processar informação, analisar dados e produzir conhecimento, com aplicações na seleção de artigos para revisões sistemáticas, na identificação de hipóteses em grandes bancos, na simulação de cenários e no apoio à redação. Distingue o uso legítimo da simulação de autoria e defende que a ética está em integrar a tecnologia com consciência, não em recusá-la.


Scratch e MIT App Inventor: Ferramentas de Aprendizagem e Inovação na Programação

Este texto compara duas plataformas educacionais criadas no Massachusetts Institute of Technology que tornaram a programação acessível a quem não domina linguagens tradicionais. Descreve o Scratch, de interface em blocos, voltado a iniciantes e crianças e adequado à criação de jogos, animações e histórias interativas, com ênfase no raciocínio lógico e na criatividade. Em seguida apresenta o App Inventor, que permite construir aplicativos funcionais para dispositivos móveis, com uso de sensores e conexão à internet, e o aproxima da prototipagem e da inovação aplicada, inclusive na área da saúde.


Docker e ao Conceito de Contêineres

Este texto introdutório explica o que é o Docker e o conceito de contêiner, caixa isolada que reúne a aplicação e tudo aquilo de que ela necessita para funcionar, o que assegura reprodutibilidade e portabilidade. Compara contêineres e máquinas virtuais, observando que os primeiros compartilham o núcleo do sistema operacional e por isso são mais leves e rápidos, e recorre à analogia da marmita para fixar a diferença. Apresenta um exercício didático, servir uma página em HTML dentro de um contêiner, com a construção da imagem e a visualização no navegador.


Formação Universitária por Meio da Pesquisa, da Extensão e do Empreendedorismo: As Ligas Acadêmicas Como Espaços Desta Integração

Este capítulo discute a formação universitária a partir da integração de três pilares. Sustenta que a pesquisa desenvolve o pensamento crítico e a autonomia intelectual, que a extensão aproxima a universidade das comunidades e promove o diálogo entre saber acadêmico e saber popular, e que o empreendedorismo, entendido como produção de patentes e criação de startups, permite converter conhecimento em solução concreta. Apresenta as ligas acadêmicas como espaço privilegiado dessa articulação e reúne referências normativas, exemplos práticos e sugestões de políticas institucionais para o ensino superior brasileiro.


O compromisso do estudante de Medicina na era das IAs

Este relato parte de uma aula de pesquisa em ciências da saúde em que os estudantes, dispersos, concluíam com auxílio de inteligência artificial um trabalho de bioquímica sobre a via de síntese dos ácidos graxos. Diante da uniformidade das respostas, o professor interrompe a exposição e pergunta qual a importância do tema na formação do médico generalista, sem obter resposta. Ao dirigir a mesma pergunta a um assistente automatizado, obtém a conexão com metabolismo energético, obesidade, diabetes e prevenção cardiovascular, o que reacende o interesse da turma.


Como Tecnologias Emergentes Evoluem: Do Ciclo de Hype ao Ciclo de Adoção

Este texto apresenta dois modelos complementares para compreender a trajetória de tecnologias emergentes. O ciclo de adoção descreve os perfis que abraçam a novidade em momentos distintos, os inovadores dispostos a tolerar falhas, os adotantes iniciais que legitimam a solução, a maioria inicial pragmática, a maioria tardia conservadora e os céticos. O ciclo de expectativas divulgado pelo Gartner descreve o percurso do gatilho tecnológico ao planalto de produtividade, com passagem pelo vale da desilusão. Sustenta que o domínio desses modelos permite distinguir promessa vazia de solução madura.


A Travessia do Choro

Este relato descreve a quarta noite de uma caminhada de Maceió até o rio Persinunga, na divisa entre Alagoas e Pernambuco, sob chuva persistente e com o grupo formado por adultos e crianças. O autor, médico responsável pela expedição, caminhava ao final da fila, em vigília silenciosa. Após a travessia do rio, uma criança de nove anos começa a chorar de modo intenso, acalma-se com o acolhimento dos companheiros e volta a chorar minutos depois, agora de forma mais aguda, até ser conduzida até ele para avaliação.


A Origem do PollyBall: O Pickleball da UNCISAL

Este relato narra a origem do PollyBall, versão do pickleball criada na UNCISAL. Descreve o primeiro contato com o esporte durante viagem aos Lençóis Maranhenses, a partir da conversa com um viajante que o apresentou como fenômeno crescente na Europa e nos Estados Unidos, acessível, inclusivo e capaz de reunir gerações na mesma quadra. Relata a pesquisa que se seguiu, a afinidade imediata com a dinâmica do jogo e a percepção de que levar a novidade para a universidade exigiria mais do que entusiasmo pessoal.


Graphviz

Este texto apresenta o Graphviz, programa que converte descrições textuais em diagramas por meio da linguagem DOT, cuja sintaxe define nós e as ligações entre eles. Destaca sua utilidade para representar com clareza e hierarquia informações complexas, entre elas fluxos clínicos, decisões jurídicas e processos de pesquisa, em ensino, apresentações e análise de sistemas. Mostra que assistentes de inteligência artificial podem gerar o código a partir de uma descrição em linguagem corrente, traz um exemplo de fluxo de primeiros socorros e indica editores disponíveis na web.


Google Colab

Este texto apresenta o Google Colab, ferramenta gratuita que permite escrever, executar e compartilhar código Python no próprio navegador, à maneira de um caderno interativo que reúne texto explicativo, código e resultados em um mesmo documento. Enumera as razões de sua importância, a gratuidade e o acesso a unidades de processamento gráfico antes onerosas, a colaboração simultânea entre vários usuários, a configuração pronta com bibliotecas de ciência de dados já instaladas e a facilidade de compartilhamento, que favorece a reprodutibilidade exigida na pesquisa científica.


O Olhar do Cão

Este relato recupera um episódio do laboratório de cirurgia experimental da faculdade de medicina, quando o colega que dividia os treinos de técnica operatória não compareceu e o autor conduziu sozinho o procedimento no animal anestesiado. Descreve o peso do silêncio e a falta da presença humana em um ambiente onde a vida de outro ser estava em jogo. O reencontro ocorre dias depois, na cantina, e revela no semblante do colega um conflito interno que dá sentido à ausência e ao título do texto.