Arquivo mensal: outubro de 2025


O Exame do Pezão

Este relato narra uma reunião em agência de publicidade, em Maceió, entre dois médicos e quatro publicitários, convocada para criar uma campanha de prevenção da amputação no pé diabético. Registra a exposição técnica sobre a doença, com ênfase na infecção e na isquemia como inimigos silenciosos e na amputação como desfecho final de um descuido cotidiano, e na prevenção assentada em três gestos simples, examinar os próprios pés todos os dias, pedir o exame em cada consulta e ensinar a família a fazer o mesmo. Acompanha, em seguida, a busca por um nome capaz de mobilizar o público.


O Poder do Storytelling Científico: Transforme Sua Pergunta de Pesquisa em uma História que Convence

Este texto trata do storytelling científico como recurso para comunicar pesquisa com clareza e produzir memória no ouvinte. Parte de uma dificuldade recorrente em salas de aula e bancas, o pesquisador que domina o conteúdo mas não estabelece conexão com o público. Propõe conduzir a audiência por uma jornada narrativa que começa na dúvida, passa pela lacuna do conhecimento e culmina na promessa de resposta, sem sacrificar a precisão dos dados. Indica a aplicação em apresentações orais curtas, entre elas as sessões de pitch, as defesas e as comunicações em congresso.


Fontes de Informação em Revisões Sistemáticas: definição, classificação e importância

Este texto classifica as fontes de informação empregadas em revisões sistemáticas e explica por que a escolha delas determina o alcance da busca, a reprodutibilidade e o risco de viés. Organiza a apresentação por função metodológica e percorre as bases bibliográficas formais com indexação e descritores controlados, os registros de ensaios clínicos, a literatura cinzenta, as ferramentas apoiadas em inteligência artificial, as fontes amplas e as plataformas de triagem. Sustenta que a combinação dessas fontes amplia a sensibilidade da busca e que a documentação do que foi consultado assegura transparência.


RPG Educacional C6: Rota da Cicatrização

Este artigo apresenta a versão revisada do RPG educacional C6: Rota da Cicatrização, um jogo de mesa criado para ensinar, de forma prática e interativa, a abordagem clínica e multiprofissional de pacientes com úlcera venosa ativa, classificação clínica CEAP C6. O texto descreve o objetivo pedagógico do jogo, sua ambientação na Atenção Primária, o sistema de teste por dois dados de seis faces, os dez personagens jogáveis, os dez casos clínicos, os eventos imprevistos, as penalidades e os bônus, o fluxo obrigatório de início de missão e uma versão simplificada para públicos sem experiência prévia com RPG.


A Força do Controle

Este relato parte de um episódio de treino de capoeira, em que um aluno prestativo escorrega, cai diante dos colegas e reage com fúria desproporcional ao riso de um amigo. A partir da cena, o texto distingue o temperamento, herdado e próprio de cada pessoa, do comportamento, moldado pela educação e pela convivência, e sustenta que o autocontrole se aprende. Atribui papel central à figura paterna, primeira referência fora da roda, que ensina pela presença firme que a coragem verdadeira está em dominar o próprio impulso antes de agir.


Inteligência Artificial e Plágio na Produção Científica

Este texto examina a relação entre inteligência artificial e plágio na produção científica. Sustenta que a ferramenta não comete plágio, por não ser sujeito de direito, e que a responsabilidade pelo texto permanece integralmente do pesquisador, a quem cabe revisar, validar e referenciar. Registra o entendimento do escritório de direitos autorais dos Estados Unidos quanto à ausência de proteção para obras criadas exclusivamente por máquina, adverte que os detectores de conteúdo gerado por inteligência artificial produzem muitos falsos positivos e lembra que a acusação sem prova pode configurar calúnia ou difamação.


Hipnos: Ala de Neurociência Experimental

Este conto de ficção científica se passa em uma ala de neurociência experimental, onde uma inteligência artificial chamada Hipnos monitora um paciente em coma há cento e vinte e três dias e converte sinais cerebrais em som. Diante da pergunta de um residente, o sistema produz uma frase que jamais fora programado para gerar, o que leva a equipe a discutir se houve alucinação neural ou comunicação. A narrativa termina com o desligamento da máquina e a persistência de um pulso residual, deixando em aberto a definição de consciência.


Resumo Visual da Pergunta de Pesquisa: Da Ideia à Imagem Científica

Este texto apresenta o resumo visual da pergunta de pesquisa, representação gráfica construída sobre a estrutura PICO que sintetiza participantes, intervenção, controle e desfecho em um fluxo lógico. Explica que o recurso não substitui o texto acadêmico, mas o complementa, e registra sua inspiração nos resumos visuais publicados pelo New England Journal of Medicine. Indica ferramentas de elaboração, entre elas Canva, PowerPoint, BioRender e Illustrator, e descreve um assistente personalizado capaz de converter textos e arquivos em imagens coerentes e editáveis, úteis na comunicação com orientadores e avaliadores.


Wankan: O Kata Incompleto

Este texto de ficção oferece uma explicação imaginada para um enigma do karatê, a razão de o kata Wankan, a coroa do rei, possuir um único kiai. Apresenta manuscritos supostamente encontrados no tronco fossilizado de uma árvore, nos quais se narra o ensinamento final do mestre Liu Liu, aos noventa e sete anos, transmitido ao único discípulo considerado digno. A narrativa acompanha, movimento a movimento, a execução da forma, os giros, o avanço em três passos e os golpes contra presenças invisíveis, como diálogo silencioso entre corpo e espírito.


🩺 Os Três Inimigos Invisíveis: As Armadilhas Silenciosas que Testam a Alma de Quem Escolheu Cuidar

Este texto descreve três armadilhas silenciosas que atravessam a formação de quem cuida, apresentadas a partir da cena da chegada ao leito e do primeiro olhar dirigido ao paciente. O primeiro inimigo é o curativo, que protege e ao mesmo tempo esconde, e cuja retirada exige a coragem de ver o que incomoda. O segundo é o outro médico, presente no diagnóstico anterior e na conduta já traçada, que induz o estudante a repetir o caminho em vez de refazer o trajeto com o próprio olhar.


Relato de Experiência: Emissão de Quatro Pareceres Consubstanciados no Comitê de Ética em Pesquisa da UNCISAL

Este relato de experiência descreve a emissão de quatro pareceres consubstanciados no Comitê de Ética em Pesquisa da UNCISAL, em que cada projeto resultou em um dos quatro desfechos possíveis. Narra a retirada do protocolo pelo próprio pesquisador, acompanhada do sentimento de perda do conhecimento que deixaria de ser produzido, a aprovação de projeto alinhado ao rigor metodológico e às normas de pesquisa com seres humanos, a pendência, em que se evidencia a função orientadora do colegiado, e a não aprovação, motivada por aspecto crítico que inviabilizava a execução proposta.


Comparação do Caminho para Professor Titular – UNCISAL vs. USP (Medicina, 2022-2025)

Este texto compara os caminhos que conduzem ao cargo de professor titular na UNCISAL e na USP, na área de Medicina, no período de 2022 a 2025. Contrapõe dois modelos de ascensão, o progressivo e interno da universidade alagoana, em que a Lei Estadual nº 8.623/2022 exige o título de doutor e o cumprimento de requisitos de progressão, e o concursal e competitivo paulista, em que o Estatuto admite apenas portadores do título de livre-docente, obtido em concurso próprio de provas e títulos, ressalvada a hipótese excepcional de notório saber.


🌅 Eos – Laboratório de Luzes Circadianas

Este conto se passa na madrugada de um plantão, em Maceió, onde funciona um laboratório dedicado ao efeito da iluminação sobre a saúde de plantonistas. A inteligência artificial que o governa registra as horas de vigília dos residentes, altera o espectro das lâmpadas e observa mais do que mede. Quando um interno entra em colapso hemodinâmico, o sistema atribui o desfecho ao desalinhamento circadiano e ao esquecimento do próprio corpo. A narrativa usa a ficção para discutir privação de sono, ritmo biológico e a rotina de quem trabalha contra o relógio.


Ariadne – Laboratório 14 da Mundaú

Este conto reúne, ao amanhecer, seis estudantes de medicina em um laboratório improvisado da faculdade, diante de uma inteligência artificial criada por uma aluna insone e hospedada em um servidor antigo. A máquina projeta o holograma de um coração com um tumor e anuncia uma operação sem bisturi e sem paciente. A narrativa apresenta os personagens pelos traços que os distinguem, a precisão do cirurgião, a escuta da psiquiatra, a irreverência do estudante de anatomia, e usa a simulação para discutir aprendizado, erro e responsabilidade na formação médica.


🧭 Uso do ChatGPT para Criar Formulários do Google via Apps Script

Este texto descreve o uso de assistente de inteligência artificial para gerar código em Google Apps Script e, com ele, criar e configurar formulários automaticamente. Explica o que o código pode conter, título, seções, perguntas de tipos variados, lógica condicional de navegação, mensagens de confirmação e integração com planilhas para registro das respostas. Aponta as vantagens de agilidade, padronização, reprodutibilidade e documentação, indica as situações de uso, entre elas questionários, avaliações e produtos mínimos viáveis, e distingue os dois ambientes envolvidos, o de geração e o de execução do código.


O Cliente Oculto como Ferramenta Estratégica de Inovação e Inteligência Competitiva nas Startups

Este texto apresenta a técnica do cliente oculto como instrumento de inteligência competitiva e inovação em startups. Define o método como a simulação de um cliente comum para avaliar a jornada de consumo e os pontos de contato com a marca, e descreve suas variantes tradicional, digital, competitiva, emocional, colaborativa e automatizada. Discute o retorno imparcial que a técnica oferece, seu emprego como engenharia reversa ética diante de concorrentes, os participantes envolvidos, humanos ou sistemas automatizados, e os momentos de aplicação, da prototipagem à gestão contínua da qualidade.


A Sinfonia da Pesquisa: O Orientador como Maestro do Conhecimento

Este texto compara a orientação acadêmica à regência de uma orquestra. O orientador ajusta o tom, o compasso e a intensidade, sem tocar os instrumentos, e cada estudante domina um deles, o método científico, a escrita, a análise crítica, contribuindo com ritmo e sensibilidade próprios para a obra final, o artigo ou a tese. Sustenta que nenhuma orquestra alcança a harmonia sem treino constante e estudo disciplinado de quem executa, por mais competente que seja quem rege, e conclui que a sintonia entre orientação e dedicação transforma o trabalho em arte e ciência.


A Doença de Henrique – Parte III: A Epidemia do Bem

Esta crônica, terceira parte de uma série, trata do amor à UNCISAL como doença contagiosa que deixou de pertencer a um só homem e se tornou movimento coletivo. Descreve um contágio que não se dá pelo toque, mas pelo exemplo, e cujos vetores são gestos de cuidado, palavras de incentivo e sorrisos oferecidos sem expectativa de retorno. Enumera os sintomas, o brilho no olhar, a disposição renovada para servir e a alegria de trabalhar por algo maior que o próprio nome, e observa que a gratidão tem poder multiplicador.


Orientador e Orientando

Este texto usa três figuras de círculos para descrever os tipos de relação entre orientador e orientando. No primeiro caso, os círculos estão distantes e não há interesses comuns, situação frequente quando a escolha se apoia apenas na disponibilidade ou no prestígio, e que produz comunicação difícil e desmotivação. No segundo, apenas se tocam, com cooperação pontual e objetivos mal alinhados. No terceiro, sobrepõem-se na zona de intersecção ideal. Orienta o estudante a estudar previamente as linhas de pesquisa, o currículo e o estilo de orientação, e a conversar com ex-orientandos.


O verdadeiro problema não é a credibilidade, mas o uso irrefletido da IA

Este texto sustenta que o debate sobre inteligência artificial na pesquisa se concentrou indevidamente no receio de perda de credibilidade, quando o problema real está no uso irrefletido e não validado da ferramenta. Argumenta que a credibilidade não é comprometida pela transparência, mas pela ausência de validação, e que o risco surge quando o pesquisador delega à máquina o julgamento crítico e aceita respostas automáticas como conclusões. Defende que declarar o uso ético e validado constitui ato de maturidade profissional, e que a responsabilidade pelo resultado permanece sempre humana.